Criada no Lins e moradora do Méier, BIAB aprendeu cedo que a cidade também pode ser ouvida.
Os trajetos para a escola e a faculdade, as viagens de ônibus e trem, os lugares frequentados pela família e os diferentes ritmos encontrados pelo caminho acabaram se tornando parte do repertório da cantora.
Agora, essas referências ganham espaço em “BIA1B99”, primeiro álbum de estúdio da artista, que chegou nesta quarta-feira (19) às plataformas com 11 faixas.
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Formada em Produção Cultural, a cantora conta que estudava música desde criança e, aos poucos, deixou de apenas flertar com a possibilidade de seguir carreira para se assumir como compositora e retratar seu território nas canções.
— O nosso meio influencia completamente.
Nas minhas músicas, eu falo muito sobre os lugares por onde passo, os lugares onde vou, onde saio.
Sempre tento abordar um pouco essas minhas referências — conta.
Essa relação com o lugar aparece de forma ainda mais direta em “Viaduto”, uma das faixas de “BIA1B99”.
A música presta homenagem ao Viaduto de Madureira, considerado um dos principais redutos do charme carioca.
Para BIAB, a ligação com o espaço ultrapassa a própria trajetória: começa dentro de casa.
— Minha mãe frequentou muito o Viaduto de Madureira, então, minha relação com o charme veio dessa coisa familiar também — explica a artista.
Musicalmente, o álbum passa por R&B, afrobeats, pop, MPB, samba, charme e boom bap.
A faixa “Personagem” sintetiza a proposta de transformar os deslocamentos pela cidade em música.
Produzida por Carlos do Complexo, a canção mistura afrobeats e pop, associada à sensação de atravessar a cidade sem pressa e aberta aos encontros pelo caminho.
O disco também ganhou participações ligadas à cena.
Marcus Azevedo, referência nos passinhos de charme, e DJ Tamy participaram do coro.
A presença da cidade, no entanto, não fica restrita a uma faixa.
Ela está também no conceito que dá nome ao álbum.
“BIA1B99” foi inspirado no formato das placas de veículos e une o nome artístico da cantora ao ano de seu nascimento, 1999.
Fascinada por placas de carro, ela encontrou nesse elemento cotidiano uma maneira de falar de identidade e, principalmente, movimento.
O amor atravessa a maior parte das 11 faixas.
Há espaço para romance, frustração, insegurança e euforia.
“Romance com prazo”, por exemplo, tem participação da cantora angolana-portuguesa Carla Prata e aborda uma relação que já começa fadada ao fim.
Já “Colarinho”, parceria com Yan Cloud, aproxima Rio e Bahia por meio da boemia.
— A música sempre foi muito importante nos meus momentos de movimento.
Se estou indo de um lugar para outro, preciso estar ouvindo música.
Quis abordar esse movimento pela cidade de uma forma que é muito real para mim — afirma BIAB.
A cidade para ver e ouvir: BIAB transforma seus caminhos pelo Rio em música em novo álbum
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