A vingança da Barra: depois de perder espaço para Goiás e Balneário Camboriú, o Rio reage - QTU Questões do Universo

A vingança da Barra: depois de perder espaço para Goiás e Balneário Camboriú, o Rio reage

Fonte: Bandeira da fonte

Ainda me lembro da primeira vez que passei em frente: que p.
é essa? Comi algo estragado? É um pesadelo? Fui abduzido para uma dimensão paralela? Nada disso: estávamos em 1999 e um shopping, talvez para comemorar o começo de uma era, talvez para anunciar o fim dos tempos, inaugurava uma gigantesca Estátua da Liberdade na Barra da Tijuca.
Meu Deus.

O bairro viveu um sonho: agora sim estamos nos Estados Unidos! A intervenção arquitetônica, por assim dizer, virou assunto da cidade.
Alguns invejosos acharam a obra meio cafona, de um certo mau gosto.
Que disparate! Claro que esses críticos eram gente sem um mindset vencedor, pessoas que não agregam valor e que ainda por cima admiram uma arquitetura ultrapassada, pobrinha, cheia de curvas, alpendres e cobogós.

O problema é que a revolução estética criada pela tal estátua não se espalhou pela cidade.
Ao menos não como muitos moradores da Barra, então emergente, imaginavam.
Não nos tornamos Las Vegas, muito menos Miami.
Uma pena.

Pior: pouco a pouco essa arquitetura de vanguarda foi sendo copiada pelo país afora.
Diria até que foi superada, ainda que isso pareça algo impossível.
Turbinado pelo dinheiro do agronegócio e o som dos sertanejos, floresceu, por exemplo, o estilo greco-goiano, uma escola arquitetônica que ainda não teve o merecido reconhecimento mundial.
Com suas colunas gigantes, escadarias imensas e portas pivotantes descomunais, deixou os cariocas da antiga Zona Oeste no chinelo.
Rider, é claro.
Onde o mais ousado barrense de colete puffer instalava uma porta de cinco metros, um goiano de calça skinny e camisa slim metia uma de dez.
Ainda por cima enchia a sala de LED, porcelanato brilhante, esculturas pop e adegas climatizadas.
Tudo com pé-direito triplo, só para causar.

Como concorrer com tanta sofisticação?
No Sul, mais concorrência: Balneário Camboriú virou a meca do bom gosto, com suas esguias torres disputando palmo a palmo os títulos de mais alta e mais cara do Brasil.
O que dizer da onda de condomínios neoclássicos chamados Château isso e Maison aquilo espalhados por Alphaville? Puro requinte.
Parecia até que a Barra tinha ficado para trás como farol da elegância nacional.
Pois eis que está surgindo um castelo no Recreio dos Bandeirantes.
Não é na Barra, mas do lado.
O que importa é que depois de vinte e tantos anos o Rio de Janeiro voltará ao topo da arquitetura brasileira, quiçá mundial.
Oscar Niemeyer ficaria orgulhoso.
Pena que não viveu para ver isso.
Pelo que se vê nas obras, o castelo terá estilo eclético, muito eclético.
De longe pode parecer um mix de gótico com normando com toques renascentistas, mas, vendo o projeto, nota-se que é mais uma mistura de Disney com Hanna Barbera, com notas de Pixar.
Os críticos, sempre eles, dirão que se trata de outro apocalipse estético, um monumento kitsch que seria interditado em Las Vegas por excesso de mau gosto.
‘magina! Como disse antes, não passam de invejosos, não entendem nada de luxo e riqueza.
Tenho pena.
Já vejo a ciumeira que esse sofisticadíssimo castelo vai gerar no resto do país.
Em pouco tempo teremos cópias por todo lado.
Assim como a Estátua do Shopping, ele vai marcar época.
Os críticos? Que se danem, eles que fiquem com suas ironias e seus cobogós.
Vamos em frente, que foguete não tem ré e é preciso pensar fora da caixa.