Acará e Barcarena estão entre os 20 municípios brasileiros que tiveram a maior expansão horizontal de áreas urbanizadas, entre os anos 2019 e 2022, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (02).
As duas cidades ocuparam respectivamente a 14ª e a 17ª posições no ranking nacional.
O maior crescimento no Pará foi do Acará, com acréscimo de 15,46 km², seguido por Barcarena (14,47 km²), Benevides (13,77 km²), Belém (13,05 km²) e Santa Izabel do Pará (10,85 km²).
Com exceção do Acará, todos os municípios integram a Região Metropolitana de Belém (RMB), o que indica que parte significativa da expansão urbana está associada ao crescimento das áreas periféricas da capital.
Os dois primeiros municípios do ranking paraense apresentam dinâmicas específicas para explicar o crescimento.
Em Barcarena, a expansão urbana está associada à concentração de atividades econômicas, sobretudo no entorno de Vila dos Cabanos, onde se verificou importante crescimento das áreas urbanizadas.
Já no Acará, a expansão ocorreu principalmente ao longo da PA-483 (Alça Viária), configurando um padrão de urbanização linear fora da sede municipal.
Outros municípios fora da Região Metropolitana, que registraram expansão urbana relevante, foram Altamira (8,22 km²) e Vigia (7,76 km²).
O levantamento também identificou o avanço da urbanização em ilhas pertencentes ao município de Belém, como Mosqueiro, Caratateua, Cotijuba e Combu.
Uma parte do crescimento está relacionado ao fortalecimento do turismo e da ocupação sazonal, com a construção de residências de uso ocasional, estabelecimentos comerciais e empreendimentos voltados ao atendimento de visitantes.
Os dados estão presentes no Áreas Urbanizadas do Brasil - edição 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mapeia a evolução da urbanização no país e permite comparações com a edição anterior, referente a 2019.
DENSIFICAÇÃO – Alguns municípios apresentaram maior densificação da ocupação urbana, ou seja, áreas anteriormente classificadas como pouco densas que passaram a apresentar maior concentração de edificações e infraestrutura.
Os destaques foram Redenção (2,65 km²), Canaã dos Carajás (2,61 km²), Parauapebas (2,27 km²), Barcarena (2,04 km²), e São Félix do Xingu (1,43 km²).
Esses resultados indicam a consolidação do tecido urbano já existente nessas localidades, refletindo a intensificação do uso e da ocupação do solo urbano.
COSTA - A distribuição das áreas urbanizadas no Pará mostra forte concentração na faixa costeira e no entorno.
O IBGE aponta que esse padrão também se reproduz na Ilha do Marajó, mas com intensidade bem menor, em função de fatores como a ausência de integração aos principais eixos rodoviários e do próprio processo histórico de ocupação do território paraense.
Além da RMB, destacam-se os núcleos urbanos em torno de Santarém e a presença de ocupações urbanas distribuídas de forma linear ao longo de rodovias, como a BR-230.
COMPARAÇÃO – Uma das características que se destaca do Estado do Pará é a superioridade das áreas urbanizadas pouco densas em comparação com o Brasil.
No Pará, o levantamento identificou pouco mais de 1,9 mil km² de feições urbanizadas em 2022.
Desse total, 1,2 mil km² (63,2%) são áreas densas, enquanto 694,2 km² (36,8%) são áreas pouco densas.
O percentual de áreas paraenses urbanizadas pouco densas está acima da média nacional, que é de 25,3%.
O mesmo ocorre com os loteamentos vazios, que são áreas que não estavam ocupadas em 2022, mas representam potenciais vetores de expansão urbana para os próximos anos.
No Pará, esses loteamentos correspondem a 7,4% das feições urbanizadas, acima dos 5,7% da média do Brasil.
Esse padrão está relacionado às características da urbanização paraense: enquanto nas grandes aglomerações urbanas predomina a ocupação e densificação de áreas já consolidadas, nas cidades médias e pequenas a expansão ocorre principalmente por meio da incorporação de novas áreas urbanas, especialmente em zonas periféricas.
Os maiores acréscimos de áreas classificadas como loteamentos vazios ocorreram em Santarém (5,37 km²), Parauapebas (3,93 km²), Castanhal (3,14 km²), Santa Maria das Barreiras (2,81 km²) e Itaituba (2,64 km²).
