"Achadinhos": fique atento aos links com promoções on-line - QTU Questões do Universo

"Achadinhos": fique atento aos links com promoções on-line

Fonte: Bandeira da fonte

De uns anos para cá, a preferência do consumidor por comprar sem sair de casa, consultar ofertas pelo celular e receber o produto, às vezes, em poucas horas, tem levado as lojas a se aliarem a parceiros especializados.
Esses criadores de conteúdo atraem clientes ao divulgar links promocionais diretamente nas redes sociais e grupos de mensagens. 

A prática, conhecida como “marketing de afiliados”, benéfica à primeira vista, tem sido acompanhada pelo aumento de links fraudulentos compartilhados por criminosos em grupos on-line, conhecidos como grupos de "achadinhos".  

No Brasil, foram registrados, segundo levantamento da empresa de segurança digital Kaspersky e divulgado em setembro do ano passado, 553 milhões de phishings, golpes virtuais em que estelionatários roubam dados do usuário por meio de links clicáveis e fraudulentos, no intervalo de um ano.
O número representa uma média de 1,5 milhão de denúncias por dia. 

O advogado especialista em crimes cibernéticos Rômulo Almeida alertou sobre os canais  em que  as promoções on-line costumam ser acessadas pelo consumidor.
De acordo com ele, os criminosos utilizam principalmente os canais de mensagens, como o WhatsApp e Telegram, nos quais o usuário interessado em comprar acessa os links. 

Conforme pesquisa sobre a prática do phishing, compartilhada  também pela Kaspersky, o WhatsApp, já em 2023, liderava com 82,71% dos links fraudados acessados no espaço de tempo de um ano.
Já o Telegram concentrou 14,12% dos atalhos para golpes no mesmo período. 

Exposição de dados bancários é um dos perigos a que usuário está exposto, alerta Rômulo Almeida.
Foto: Paulo Almeida/Folha de Pernambuco

A preocupação do consumidor com os links falsos, segundo o advogado, não deve se resumir ao medo pelo não envio do produto ou item entregue errado, mas à preocupação com os dados pessoais que podem ser acessados pelos criminosos.
O link, disse o especialista, pode solicitar o compartilhamento de informações do consumidor como procedimento para registrar o pedido ou, no pior dos cenários, permitir a invasão do criminoso aos dados do aparelho.

“Grande parte da nossa vida está dentro do celular, e o acesso a essas informações pessoais podem trazer impactos a longo prazo.
Além da exposição de intimidade, você pode acabar cedendo dados bancários e ter a conta bancária esvaziada por meio do crime de extorsão em consequência do estelionato”, exemplificou. 

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Estratégias
Para Rômulo, com o link compartilhado, sempre há um indicativo de fraude.
O interesse pelo imediatismo do consumidor em adquirir o produto com preço baixo, segundo ele, é aproveitado por quem pratica a fraude.
“O objetivo do criminoso é criar fins para que a pessoa que acessa seja fraudada.
O golpe vem de várias maneiras, principalmente sob forma de promoções relâmpagos, como ‘clique aqui porque restam pouquíssimas unidades’”, mencionou. 

A desconfiança, segundo o advogado, deve ser uma aliada na hora de conferir as promoções.
“A primeira coisa a fazer ao se deparar com links é desconfiar, depois conferir o endereço da URL e confirmar se não há repetições.
Caso ainda haja desconfiança, evitar clicar por impulso e verificar se a promoção realmente existe no site oficial”, listou. 

Outra alternativa para reduzir os riscos sugerida pelo advogado é a de selecionar com cautela em quem confiar.
Em meio a prevalência de perfis anônimos, há afiliados que trabalham digitalmente com a divulgação de links de ofertas e praticam uma curadoria dos produtos anunciados enquanto se profissionalizam para melhorar o atendimento ao cliente. 

Este é o caso da publicitária e influenciadora digital Maria Luisa Melo, afiliada de sites como Shopee, Mercado Livre e Amazon.
Antes do comércio eletrônico se popularizar, Luisa já buscava promoções em lojas físicas para compartilhar com seguidores no perfil pessoal dela no Instagram.

Hoje, divulga links de acesso a sites com produtos em oferta para os mais de 40 mil seguidores e também para os integrantes do grupo de achadinhos do WhatsApp.
O marketing de filiação se tornou a principal base financeira da publicitária, que recebe por cada usuário que confia, clica e finaliza a compra. 

“Existem vários perfis que divulgam e é preciso se diferenciar.
Na hora de atrair clientes, falar que tieve uma redução de preço sempre funciona para o meu nicho”, compartilhou. 
 

A influenciadora Maria Luisa Melo disse que a divulgação de produtos seguros é um compromisso.
Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

Somado a economia na compra, Luisa reforçou que tem a divulgação de produtos seguros como compromisso.
“Nós, afiliados, temos que conferir se aquele link pertence a uma loja oficial, se o vendedor é confiável e se o produto possui comentários com avaliações positivas”, aconselhou.

O cuidado com o consumidor, segundo ela, no entanto, precisa permanecer no pós-venda.
Das funções que assume como administradora de grupos de achadinhos, Luisa destacou o suporte prestado para solucionar eventuais problemas.
“Se a pessoa que comprou falou comigo, e eu tenho o contato da plataforma de venda, peço o número do pedido para o cliente e tento solucionar”, detalhou. 

Conveniência
Para quem não dispõe de tempo, os grupos de "achadinhos" são um meio conveniente para adquirir produtos.
Na rotina da estudante de ciência da computação Byanca Maria, esse modelo de compra e venda chegou para facilitar a vida dos consumidores. 

Byanca recorre à curadoria dos administradores dos grupos para encontrar com mais praticidade os produtos que precisa por preços mais baixos, uma vez que, para ela, as lojas físicas costumam cobrar mais caro. 

“O que me convence a clicar e comprar é o preço bem abaixo, enxergo como se estivesse economizando”, justificou a estudante.
Integrante de três grupos de achadinhos no WhatsApp e um histórico considerável de compras por meio de links, Byanca tem um método particular para não cair em fraudes. 

“Geralmente vejo se o link é do site oficial, se for promoções de sites novos que não conheço não compro”, reforçou. 

A agente da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPCRICI) Gabriela Feitosa aconselhou que, em caso de golpe após compra efetuada pelo Pix, a vítima faça a contestação por meio do aplicativo da instituição bancária.

"Essa contestação, conhecida como MED (Mecanismo Especial de Devolução), do Banco Central, permite que a vítima tenha, a depender do caso, o valor estornado", explicou.
O segundo passo, de acordo com ela, é acumular evidências de que foi vítima de estelionato e registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia. 

A agente também reforçou que a gravidade do crime é o que define para qual unidade a vítima deve se dirigir.

"Situações provenientes do uso da internet com prejuízo financeiro inferior a 40 salários mínimos, são de atribuição das delegacias circunscricionais, as delegacias de bairro.
Já os crimes  que envolvam invasão de dispositivo e furto eletrônico na capital, com prejuízo financeiro igual ou superior a 40 salários mínimos, ficam sob responsabilidade da DPCRICI", detalhou Gabriela.