O herdeiro de uma da principal família da política baiana está muito mais Neto do que ACM na disputa pelo Executivo estadual contra o petismo.
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) tem apostado no último nome em materiais de campanha após ter sido derrotado, por pouco, por Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição de 2022.
O GLOBO localizou postagens e adesivos da candidatura do descendente do ex-governador Antonio Carlos Magalhães onde a referência ao carlismo sequer aparece, e ele é apresentado apenas como Neto.
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A opção ocorre em meio a um cenário acirrado na disputa baiana, onde ACM Neto e Jerônimo aparecem empatados tecnicamente na liderança em pesquisas de intenção de voto.
O carlista busca impedir que o PT vença a sexta eleição seguida para o Palácio de Ondina, mas tem como obstáculo a força do lulismo na Bahia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 72% dos votos no segundo turno no estado.
Anúncio de evento da campanha omite a palavra ACM
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ACM Neto consolidou-se como voz de oposição ao petismo ao iniciar a carreira política na Câmara dos Deputados, no início dos anos 2000, em meio à crise do mensalão.
Para a campanha deste ano, ACM Neto contratou o marqueteiro João Santana, que comandou o marketing eleitoral de Lula em 2006 e o da ex-presidente Dilma Rousseff tanto em 2010 quanto em 2014.
O material de campanha do carlista utiliza as cores rosa, azul e branco, e traz na logo a sigla ACM em uma fonte pequena, dando destaque ao Neto.
Em materiais de divulgação, há o uso de expressões como “agenda de Neto” e o uso da “#TôcomNeto”.
Quando há a presença do "ACM" em postagens, costuma aparecer em uma fonte menor do que a utilizada em "Neto"
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Para o cientista político Cláudio André de Souza, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), há uma estratégia de diminuição do uso de ACM para atrair votos lulistas nesta eleição.
— Diferente de 2022, quando ACM Neto dá largada na campanha com a reedição de um jingle histórico do avô, o candidato agora abandona a perspectiva de reforçar o vínculo com o carlismo.
Há o reconhecimento do peso do lulismo como preditor de votos na Bahia — afirma Souza, que completa: — Isso se dá em um contexto no qual ACM montou uma chapa mais inclinada à direita, com a presença do PL.
O uso mais frequente do Neto em destaque ocorreu também durante o segundo turno da eleição de 2022, quando o cenário já desenhava uma disputa apertada contra Jerônimo.
O petista teve pouco mais de 52% dos votos no estado.
Material de campanha de ACM Neto antes do primeiro turno (à esq.), em 3 de setembro de 2022, e às vésperas do segundo turno (à dir.), em 17 de outubro de 2022
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Procurada, a equipe de campanha de ACM Neto não se manifestou.
Fora da nacionalização
O carlista evita nacionalizar a campanha baiana para reduzir o impacto do lulismo na eleição local.
Há a tentativa de manutenção do foco do debate no campo da segurança pública, diante da piora dos indicadores no estado, interpretada como um calcanhar de aquiles para o governo Jerônimo.
ACM Neto anunciou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial e descarta uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
O carlista, por outro lado, tem o presidente estadual do PL, João Roma, como candidato ao Senado em sua chapa.
Como mostrou o GLOBO, há um acordo entre a equipe de ACM Neto e os dirigentes do PL sobre a eleição baiana.
Foi decidido que o ex-prefeito apoiaria Caiado no primeiro turno, mas haveria a possibilidade de uma união com Flávio em eventual segundo turno contra Lula.
