As ações do Banco Santander Brasil S.A.
registraram a maior alta em mais de seis anos depois que sua controladora espanhola anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações que ainda não detém, aproveitando uma diferença de avaliação que aumentou no último ano.
O Banco Santander S.A., sediado em Madri, informou na quinta-feira (30) que destinaria até 1,9 bilhão de euros (US$ 2,2 bilhões) para adquirir cerca de 10% do capital social do Santander Brasil.
A controladora planeja trocar as ações da subsidiária pelas suas próprias, por meio da emissão de novas ações.
Embora a oferta abranja todas as ações em circulação no mercado ("free float"), o Santander afirmou que não pretende retirar a subsidiária brasileira da bolsa e que a oferta é voluntária.
No entanto, dependendo dos resultados, essas ações poderão ser retiradas da Bolsa de Valores de Nova York.
Especulações do mercado sobre uma possível oferta surgiram no início do ano passado, à medida que a avaliação das ações da subsidiária brasileira ficou atrás daquela da controladora, em meio a crescentes preocupações com o crédito na maior economia da América Latina.
Essa diferença apenas aumentou desde então, com o Banco Santander se tornando o banco mais valioso da Europa continental.
As ações do Santander Brasil dispararam até 13,9% em São Paulo nesta sexta-feira (31), a maior alta intradiária desde março de 2020.
A abertura das negociações no Brasil sofreu nesta sexta um atraso de três horas devido a uma falha técnica na bolsa local.
A oferta representa um prêmio de 15% sobre o preço de referência das ações do Santander Brasil, informou a controladora.
O banco acrescentou que emitiria ações equivalentes a cerca de 1,1% de seu capital, caso todos os acionistas da unidade participassem da operação.
"Esta transação é mais um passo em nossa estratégia de simplificação do grupo, ao mesmo tempo em que reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil", afirmou a presidente do conselho do Santander, Ana Botín, em comunicado.
Espera-se também que a oferta contribua para os resultados financeiros, disse ela.
A unidade brasileira está entre as maiores operações do Santander, concentrando mais de um quarto de sua força de trabalho global e liderando em receita no primeiro semestre deste ano.
No entanto, a lucratividade caiu nos últimos anos, à medida que as taxas de juros elevadas pesaram sobre o modelo de negócios, que depende do financiamento ao consumidor e de clientes de menor renda.
A queda das ações e a desvalorização do real brasileiro explicam a decisão, além do free float relativamente baixo, disse Fernando Siqueira, chefe de análise da Eleven Financial.
"Por outro lado, isso também parece sinalizar confiança de que os resultados fracos dos últimos trimestres são apenas temporários", afirmou.
Os acionistas minoritários poderiam ficar em uma situação difícil se o free float fosse reduzido sem que ocorresse o fechamento de capital, disse o analista do Citigroup Inc., Gustavo Schroden, em nota a clientes.
"Uma menor liquidez das ações em circulação poderia ampliar descontos, reduzir o interesse institucional e aumentar o risco de futuras operações societárias em condições menos atraentes", disse ele.
Ações do Santander Brasil têm maior alta em seis anos com oferta pública de aquisição
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