Adagas, flechas e músculos fortes: estudo revela rotina incomum de princesas do Egito Antigo; entenda - QTU Questões do Universo

Adagas, flechas e músculos fortes: estudo revela rotina incomum de princesas do Egito Antigo; entenda

Fonte: Bandeira da fonte

Arcos, flechas e adagas encontrados em túmulos de princesas do Egito Antigo sempre despertaram dúvidas entre arqueólogos.
Eram apenas símbolos de prestígio reservados à elite ou objetos usados de fato por suas donas? Um estudo publicado neste mês afirma ter encontrado a resposta nos próprios esqueletos das nobres: elas apresentavam marcas compatíveis com anos de treinamento físico e manejo frequente de armas.
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A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Environmental Archaeology, examinou os restos mortais de cinco mulheres da realeza que viveram durante o Médio Império egípcio, entre cerca de 1850 a.C.
e 1700 a.C.
As análises apontam que a musculatura dos braços, ombros e costas era suficientemente desenvolvida para atividades como tiro com arco e combate com armas de mão.
Os cientistas chegaram a essa conclusão ao estudar os pontos de inserção dos músculos nos ossos.
Embora os tecidos moles tenham desaparecido ao longo dos milênios, essas regiões preservam alterações provocadas por movimentos repetitivos e esforço constante, permitindo reconstruir aspectos da rotina física de pessoas que viveram há milhares de anos.
Entre as múmias analisadas estão quatro filhas do faraó Amenemhat II — Ita, Khenmet, Itaweret e, provavelmente, Sathathormeryt — além da princesa Noub-Hotep, integrante de outra linhagem real.
Em comum, todas foram enterradas com armas cuidadosamente ornamentadas, como adagas e conjuntos de flechas, objetos que agora ganham um novo significado à luz das evidências encontradas.
Uma das princesas, Ita, apresentava alterações ósseas compatíveis com movimentos exigidos por armas de combate corpo a corpo.
Em sua tumba, arqueólogos encontraram uma adaga de bronze ricamente decorada.
Já Itaweret exibia características normalmente associadas ao uso frequente do arco e flecha, além de fraturas cicatrizadas nas costelas e nos pés, indicando uma rotina fisicamente exigente.
O estudo também revelou um contraste curioso.
Apesar da preparação física, algumas integrantes da família real conviviam com problemas de saúde desde o nascimento.
As filhas de Amenemhat II apresentavam alterações congênitas na coluna vertebral que os pesquisadores relacionam aos frequentes casamentos entre parentes na realeza egípcia.
Os esqueletos também mostram sinais de infecções e episódios de deficiência nutricional.
Os restos mortais utilizados na pesquisa foram descobertos ainda no fim do século XIX, na necrópole real de Dahshur, mas permaneceram desaparecidos por décadas antes de serem reencontrados no Museu Egípcio, em 2020.
A redescoberta permitiu que novas técnicas de bioarqueologia fossem aplicadas ao material, oferecendo uma das evidências mais detalhadas até hoje sobre a preparação física de mulheres da elite no Egito Antigo.