Advogado de Lulinha nega tráfico de influência e critica vazamentos - QTU Questões do Universo

Advogado de Lulinha nega tráfico de influência e critica vazamentos

Fonte: Bandeira da fonte

O advogado Marco Aurélio Carvalho, da defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse ele precisa ser intimado para vir ao Brasil prestar esclarecimentos e que ele nunca auxiliou nenhuma empresa a conseguir contratos junto à administração pública.
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“Fábio não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de negócio que envolva a administração pública brasileira, ou qualquer outra administração pública.
Isso é importante frisar, não é surpresa, os autos da investigação comprovam o que nós estamos afirmando.
Não há nenhum indício, dúvida razoável ou fato que comprove o contrário”, afirmou o defensor do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao Valor, o advogado de Lulinha criticou os vazamentos de diálogos e trechos dos inquéritos envolvendo o filho do presidente e lembrou que ele já havia colocado os sigilos bancário e fiscal de Lulinha à disposição das autoridades antes mesmo de a Polícia Federal (PF) ter solicitado as quebras.

“Para que a gente possa vir nós temos que ser, evidentemente, chamados a comparecer em juízo, nas instâncias de investigação administrativa, seja quais forem, e nós temos que ter acesso integral aos autos, para prestigiar o sagrado direito de defesa.
O filho do presidente vive na Espanha desde 2025 e sua defesa alega que ele se mudou para lá antes mesmo da deflagração da Operação Sem Desconto, investigação sobre fraudes no INSS que acabou avançando sobre ele depois.

Para ele, os vazamentos recentes que ocorreram sobre trechos da investigação remetem ao período da Operação Lava-Jato, investigação que levou à prisão de Lula e depois foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal após ser constatada a falta de imparcialidade do então juiz Sérgio Moro.
“O fato é que parte da corporação foi instrumentalizada por interesses políticos eleitorais e isso nos remete ao que houve de pior na Justiça com a finada operação Lava-Jato.”

Mensagens que constam nos pedidos de abertura de inquéritos contra Lulinha apresentados pela PF ao Supremo Tribunal Federal divulgadas recentemente na imprensa expuseram conversas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger, apontada pela PF como lobista.
Dentre os diálogos há conversas dos dois em 2024 afirmando que o futuro deles seria a “Suíça”.

Os diálogos indicam também que eles podem ter se reunido com o então chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola.
Também há nos autos mensagens entre Roberta e Marcola que mostram ela comprando joias para ele, além de uma mensagem que mostra ela compartilhando com Marcola uma minuta de contrato de venda de canabidiol.
A tentativa de vender canabidiol para o SUS por meio de uma empresa que pertencia ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", foi um dos negócios que a PF chegou a investigar na Sem Desconto, mas o negócio nunca se concretizou.

Ainda assim a suposta interlocução de Lulinha e outros suspeitos junto ao governo federal está no radar da PF.

A interlocutores, Marcola nega que tenha repassado o documento a outras pessoas.
O ex-chefe de gabinete já admitiu publicamente ter recebido dinheiro de Roberta enquanto ocupava a função, mas disse que foi um empréstimo e que foi quitado por ele, no valor de R$ 249 mil.

Além destes diálogos, a PF ainda encontrou conversas de Roberta afirmando: “Eles sabem o que eu sou.
Eu sou o Fabio.
Para a corporação, o diálogo é um dos indicativos de que ela teria autorização do filho do presidente para atuar em nome dele.

Para Carvalho, caberia somente a Roberta explicar a menção ao filho do presidente.
“Não há nenhum indício de prospecção (de negócios) dele direta, estão defendendo a ideia de que Roberta falou em nome dele, mas isso é ela que precisa explicar, porque o inquérito não consegue comprovar uma única reunião, um único telefonema, uma única gestão dele na defesa de qualquer tipo de negócio”, segue Carvalho.

A PF pediu a abertura de três inquéritos contra Lulinha e outras pessoas por suspeita de tráfico de influência em diferentes áreas do governo federal.
Dois inquéritos ficaram sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF e um sob a relatoria do ministro Flávio Dino.