O Festival Afro Maré será realizado neste domingo (6), a partir das 12h, no Caramanchão do Chapéu Virado, em Mosqueiro, com entrada gratuita.
A primeira edição do evento terá apresentações de carimbó, tecnobrega, hip-hop e manifestações ligadas às religiões de matriz africana, além de batalha de rima, disputa de breaking e concurso de tecnobrega.
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Idealizado pelo rapper, compositor e produtor cultural Daniel ADR, o encontro reúne manifestações tradicionais e expressões urbanas relacionadas à população negra e periférica.
A proposta é colocar lado a lado ritmos amazônicos, linguagens da cena urbana e elementos das religiões de matriz africana.
Um dos destaques do evento é o Afro Axé Dudu, criado em 1987 pelo Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA).
Formado inicialmente como bloco afro, o grupo desenvolve um trabalho voltado à identidade negra, à ancestralidade e ao enfrentamento do racismo por meio da música e da dança.
“Usamos a música e a dança afro para combater o racismo e mostrar que o povo preto não veio ao Brasil para ser escravizado”, afirma Daniel ADR.
Carimbó e ritmos urbanos
O gênero paraense também estará representado por Os Quentes da Madrugada, de Santarém Novo, grupo ligado à Irmandade de São Benedito e à transmissão do ritmo entre gerações.
A formação utiliza instrumentos tradicionais como curimbós, rufo, maracás e reque-reque.
Em 2025, lançou o álbum “Identidade Única”, gravado ao vivo no barracão da Irmandade.
A presença de Mosqueiro fica por conta do Moqueio Tupinambá, ligado à produção cultural de jovens da ilha, e do Estação Carimbó.
Já o tecnobrega será apresentado pelo DJ Nayty Show, enquanto o Flow Cabano representa o hip-hop.
As atividades incluem ainda batalhas de rima e breaking.
Origem do nome
A escolha do nome Afro Maré também tem relação com a trajetória de Daniel ADR na ilha.
Há mais de duas décadas, ele mantém, em uma área da família, um terreiro ligado ao Tambor de Mina.
O espaço fica em uma região de mata preservada e possui um rio nos fundos.
“Quando pensei nesse nome, veio o afro da atuação que faço lá, dentro do culto do Tambor de Mina, e a maré porque estamos em uma ilha cercada pelas águas.
Foi daí que surgiu o Afro Maré”, explica.
Além das religiões
A seleção das atrações parte dessa experiência, mas inclui outras manifestações da cultura negra.
Rap, breaking e brega aparecem ao lado de expressões tradicionais e religiosas, seguindo a compreensão do organizador sobre a diversidade da produção afro-brasileira.
“Quando se fala em festival afro, quase sempre são colocadas apenas atrações que fazem parte das religiões de matriz africana.
Eu enxergo o afro de uma forma muito mais ampla.
O rap, o break dance e o próprio brega também estão nesse lugar.
Tentei trazer para a programação essas diferentes expressões culturais, das mais tradicionais às mais contemporâneas”, afirma o idealizador.
SERVIÇO:
Festival Afro Maré
Quando: domingo (6), a partir das 12h;
Onde: Caramanchão do Chapéu Virado, Ilha de Mosqueiro, Belém;
Entrada: gratuita.
