Agora técnico do Real Madrid, José Mourinho relembrou o episódio de racismo do jogador Prestianni contra Vini Jr.
em jogo com o Benfica, no início deste ano, pela Champions League.
O treinador, que comandava o time português na ocasião, disse que defendeu o argentino por ser seu jogador e que agora o brasileiro sabe de que lado ele está.
— Prestianni era meu jogador, pronto, não tem discussão.
Se Prestianni é meu jogador… podem vir 20 jogadores, que eu estou com o Prestianni, não tem história.
Acho que o Vini agora sabe, sabe de que lado estou e sabe que pode olhar para mim e contar comigo para estar ao lado dele.
Outro dia, quando não marcaram um pênalti grande como o Bernabéu, eu já estava no centro do campo ali lutando por ele, ele sabe que vou estar com ele — disse Mourinho em entrevista ao programa espanhol El Chiringuito.
A denúncia de Vinicius Junior veio logo após marcar um gol no Estádio da Luz, em Portugal.
A comemoração, feita na bandeirinha de escanteio próxima à torcida portuguesa, gerou confusão e fez Vini levar cartão amarelo do árbitro francês François Letexier.
Depois, ele denunciou que o atacante argentino Prestianni o teria chamado de "mono" ("macaco", em espanhol), falando por baixo da camisa — o caso incentivou a criação da "Lei Vini Jr.", utilizada na Copa do Mundo, que pune com cartão vermelho o jogador que cobrir a boca ao falar com o adversário em uma discussão.
O árbitro chegou a ativar o protocolo de racismo e paralisar a partida após aviso do brasileiro.
O jogo ficou parado por cerca de dez minutos e uma confusão generalizada se desenrolava no gramado entre os times e as comissões técnicas.
Vini e outros jogadores do Real Madrid foram hostilizados até o final, em uma partida na qual o futebol saiu de foco.
Prestianni coloca a camisa na boca em discussão com Vini Jr.
PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
Na entrevista ao programa espanhol, Mourinho foi questionado se o brasileiro deveria se aprender a comportar de uma forma diferente.
O técnico, porém, destacou que a mudança tem que partir do outro lado.
— Acho que as pessoas têm que aprender a se comportar com ele, falo também de árbitros.
Vinícius também é um jogador como os outros.
Você não pode proteger o Mourinho e não proteger o Vinícius.
As pessoas têm que olhar para ele além de se ele é muito simpático ou menos simpático.
Você tem que olhar para o Vinícius dentro de campo como um jogador a mais.
Ele é melhor que os outros.
Depois da partida, a Uefa abriu uma investigação para apurar o caso de racismo.
O Comitê de Ética e Disciplina analisou todas as evidências referentes ao incidente e colheu depoimentos dos dois jogadores envolvidos, bem como de quaisquer testemunhas em potencial.
Kylian Mbappé, por exemplo, afirmou ter ouvido o jogador do Benfica chamar o brasileiro de macaco cinco vezes.
Dias depois, Prestianni foi suspenso preventivamente pela Uefa e ficou de fora do confronto de volta no Santiago Bernabéu.
Em comunicado, a Uefa informou que esta decisão não prejudica qualquer deliberação que os órgãos disciplinares adotem após a conclusão da investigação em curso.
Já em maio, a Fifa estendeu a punição do atacante para todas as competições, inclusive a Copa do Mundo.
Com isso, ele ficaria fora das duas primeiras rodadas do torneio caso fosse convocado pelo técnico Lionel Scaloni, mas acabou ficando fora da lista.
Agora no Real Madrid, Mourinho relembra caso de racismo contra Vini: 'Ele sabe de que lado estou'
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