Agrícolas voltam a registrar alta em NY com receios sobre El Niño - QTU Questões do Universo

Agrícolas voltam a registrar alta em NY com receios sobre El Niño

Fonte: Bandeira da fonte

Parece filme repetido, mas não é.
Por mais um mês, o El Niño voltou a ser a principal preocupação dos fundos que operam commodities agrícolas na bolsa de Nova York.
Em agosto, o açúcar foi o destaque de alta na bolsa diante do receio de uma produção menor em países fornecedores em decorrência do fenômeno.
Na bolsa de Chicago, os cortes nas estimativas para a safra de milho dos Estados Unidos puxaram a alta do grão.
Os contratos de segunda posição do açúcar em Nova York encerraram agosto com alta mensal de 13,2%, para um valor médio de 17,80 centavos de dólar a libra-peso, segundo o Valor Data.
“Os fundos estão se antecipando aos impactos que o El Niño pode trazer para a safra global de açúcar em 2026/27, que começa em outubro”, disse Marcelo Filho, analista da StoneX.
Segundo ele, o pessimismo com a nova temporada começou com as notícias sobre a Europa, que sofre com ondas de calor.
No continente, o açúcar é feito a partir da beterraba.
Além disso, Índia e Tailândia, grandes produtores de cana-de-açúcar, enfrentam chuvas abaixo da média.
Com o temor de uma safra menor, os indianos aprovaram até a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar em agosto.
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Na visão da StoneX, o quadro atual de oferta e demanda sugere um déficit de 1,7 milhão de toneladas na temporada 2026/27, em comparação com o superávit de 2,9 milhões do ciclo atual.
“Esse déficit pode ser ainda maior, pois nossa projeção considerou uma safra de 14 milhões de toneladas para a União Europeia em julho, mas esse número deve estar mais perto das 13,5 milhões de toneladas”, disse Marcelo Filho.
O algodão também subiu por conta de preocupações com o clima.
Os preços da pluma tiveram alta de 8,4%, para um valor médio de 86,46 centavos de dólar a libra-peso.
Pery Pedro, consultor independente de mercado, destacou que as áreas de algodão dos EUA enfrentam a pior seca dos últimos dez anos.
Diante disso, o índice de abandono das lavouras no país chega a 20%.
“Em agosto também tivemos rumores de seca em Xinjiang, que responde por 80% do algodão produzido na China.
Além da falta de chuva, tivemos temperaturas de 50°C, que mesmo em áreas irrigadas pode afetar a fisiologia das plantas”, observou.

O El Niño ainda impulsionou a alta nos preços do cacau, que subiram 7,1% em agosto, para uma média de US$ 6.000 a tonelada.
A razão foi o temor de seus efeitos nas lavouras do oeste da África.
Já o café e o suco de laranja tiveram leves altas no mês.
O arábica subiu 0,29%, para um valor médio de US$ 3,1845 a libra-peso.
E o suco (FCOJ, na sigla em inglês) avançou 0,31%, a US$ 1,5025 a libra-peso.
Bolsa de Chicago
Na bolsa de Chicago, os grãos terminaram o mês em alta, com destaque para o milho, que subiu 7,5%, para a média de US$ 4,9290 o bushel, segundo o Valor Data.
Neste mês, os agricultores americanos começam a colher a safra 2026/27, e projeções iniciais apontam uma quebra na produção.
A Pro Farmer, expedição que percorreu as principais áreas de milho dos EUA em agosto, estimou colheita de 389,75 milhões de toneladas.
O número ficou abaixo das 406,75 projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto.
“O clima quente em alguns períodos justifica a previsão de uma safra menor para os EUA.
Mas a Pro Farmer sempre traz números abaixo das previsões do USDA.
Aparentemente, os fundos se colocaram nessa posição comprada [apostando na alta nos preços], esperando o relatório do USDA de setembro, que tende a ser muito mais definidor para os preços”, disse Ariel Nunes, da Gran Center Commodities.

No mercado do trigo, os preços futuros subiram 4,8%, a US$ 6,9374 o bushel na média.
Agosto foi marcado por uma ofensiva militar ucraniana que destruiu estruturas em portos russos no Mar Negro.
A Rússia, líder global na exportação de trigo, teve 95% da capacidade de escoamento paralisada, disse a SovEcon.
Também em Chicago, a soja avançou na esteira dos cereais.
Os futuros encerraram agosto com valor médio de US$ 12,0706 o bushel, alta mensal de 1,2%.