O desempenho do PIB da agropecuária ficou acima do esperado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A entidade, inclusive, planeja rever a sua estimativa para o crescimento da agropecuária em 2026, que inicialmente era de 2,1%.
Ainda assim, a confederação analisa os dados com cautela, devido à sazonalidade típica da atividade.
O coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, ressalta que o PÌB calculado pelo IBGE é fortemente influenciado pelo volume produzido.
Portanto, o desempenho positivo do setor agropecuário não significa uma maior rentabilidade para o produtor rural.
"Quando olhamos para a renda, tem algumas questões que nos preocupam, porque em algumas cadeias a gente vê uma certa estagnação de preços comparados à série histórica", observa, citando como exemplo a soja, carro-chefe da produção agropecuária brasileira, que não teve um salto de preços em 2026.
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Na agricultura, os destaques do segundo trimestre, segundo a CNA, foram a soja e o café arábica.
O milho ficou praticamente estagnado, enquanto o arroz apresentou queda.
Na pecuária, todos os segmentos apresentaram altas, incluindo couro e ovos.
A expectativa da CNA é de que o agro cresça em ritmo menor no terceiro trimestre do ano.
O clima também é de cautela com relação à próxima safra.
Conchon observa que os produtores irão cultivar o ciclo 2026/27 em meio a incertezas com o clima, que pode ocasionar veranico durante o enchimento dos grãos e trazer a necessidade de replantio em alguns casos - o que implica em custos maiores.
Também há inquietação com relação aos preços internacionais de soja e milho, desempenho da safra dos Estados Unidos, taxas de juros elevadas, endividamento e aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor.
