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AgroValley quer revelar agtechs no Centro-Oeste

Fonte: Bandeira da fonte

A região Centro-Oeste domina a produção nacional de grãos, mas sua fatia do universo de ecossistemas de inovação do agronegócio brasileiro continua a ser pequena.
Ainda assim, há sinais de mudança.
O número de startups do agro na região, por exemplo, mais do que dobrou entre 2019 e 2025, quando o contingente passou de 70 para 147 empresas, segundo o levantamento Radar Agtech 2025, da Embrapa.
O surgimento de novas empresas tem alimentado a criação de centros de inovação, que têm se concentrado em locais próximos a grandes produtores e cooperativas.
O mais recente deles é o AgroValley, de Campo Grande, que, mesmo com o pouco tempo de operação — junho foi o mês de início das atividades —, tem planos de ajudar a distribuir R$ 150 milhões em investimentos em agtechs ainda em 2026.
O AgroValley é um ambiente de inovação que reúne startups, empresas, universidades, investidores e produtores rurais.
O projeto nasceu a partir da VivaTerra, gestora de Campo Grande criada pelo empresário Rafael Viana.
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No plano de fazer aportes R$ 150 milhões — com recursos de investidores — em startups do agro até o fim do ano, a gestora dará prioridades a empresas e iniciativas nas áreas de inteligência artificial, robótica, biotecnologia e crédito de carbono.
“A VivaTerra será responsável pelos investimentos, e o AgroValley fará a incubação e a aceleração das startups”, explica o empresário.
No momento, o hub trabalha na avaliação de pré-requisitos de 20 startups.
Além delas, três estão em etapa avançada de análise.
Nesse segundo grupo estão a Kerow, que faz biometria facial e contagem de bois por imagem, e a Carbon Vantage, marketplace de créditos de carbono que conecta produtores e compradores.
Para Viana, o Brasil é referência na criação de tecnologias para o agro, mas ainda esbarra em dificuldades para financiar e ampliar a adoção dessas soluções.
“Vivemos um ciclo de taxas de juros altas, endividamento elevado do setor, e as recuperações judiciais não param de subir”, afirma.
Na lista de entraves, ele menciona ainda as quebras de safra em sequência, a queda dos preços das commodities e o aumento dos custos de produção nos últimos anos.
“A solução para reduzir custos é adotar tecnologia”, diz.
“O produtor depende de muitos fatores para que a safra dê certo, e a tecnologia consegue ajudar a prever esses cenários”.
Segundo o Radar Agtech, há 37 ecossistemas de inovação do agro no Centro-Oeste, o que corresponde a 9,49% do total no país.
O Sul, com 145 iniciativas, ou 37,18% do total, lidera o ranking.
Das cinco regiões do país, apenas o Norte, com 18 (ou 4,62%), tem menos ecossistemas que a região de atuação do AgroValley.
Mas, com sua forte produção agropecuária, o Centro-Oeste é um polo emergente do ecossistema de inovação do agro, segundo a Embrapa.
E foi justamente a proximidade entre agtechs e grandes produtores e cooperativas que fez com que Viana escolhesse Mato Grosso do Sul para abrir a VivaTerra e também o AgroValley.
Segundo o empresário, seu projeto baseia-se em três pilares: proximidade com os produtores que se beneficiarão das tecnologias, o trabalho de pesquisadores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que analisarão a viabilidade das startups, e o dinheiro para os aportes.

“Vamos levar o capital para aproximar o investidor do produtor e do mundo acadêmico”, afirma ele, que participará de um dos painéis do São Paulo Beyond Business (SP2B), festival de inovação e empreendedorismo que acontecerá no Parque Ibirapuera, em São Paulo, entre 9 e 16 de agosto.
A missão do AgroValley não se restringirá à identificação de agtechs para receber aportes, observa Viana.
“Nem todas as empresas terão investimento do fundo, mas elas poderão participar desse ecossistema”, diz.