Provador digital com realidade aumentada é testado em shopping de São Paulo
Divulgação
O shopping center deixou de competir apenas por localização, mix de lojas ou arquitetura.
Uma nova disputa acontece no uso de inteligência artificial, ciência de dados e plataformas digitais capazes de compreender o comportamento do consumidor, antecipar demandas e tornar a operação mais eficiente.
Tecnologias antes experimentais agora fazem parte da rotina dos empreendimentos.
“A transformação digital não é mais um tema de inovação.
Ela passou a integrar a estratégia dos empreendimentos’, afirma Gabriella Oliveira, diretora de planejamento estratégico e operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
O principal combustível dessa transformação é o volume de informações produzido diariamente pelos shopping centers.
Dados coletados em aplicativos, programas de relacionamento e sistemas operacionais internos permitem acompanhar o consumidor antes, durante e depois da visita.
Os shoppings passam a administrar não apenas ativos físicos, mas também inteligência de negócios.
“Os dados ampliam o papel do shopping como plataforma de negócios.
Ao conhecer melhor o comportamento do consumidor e o desempenho das operações, é possível desenvolver campanhas mais segmentadas, apoiar os lojistas com inteligência de mercado e criar oportunidades de comunicação mais eficientes”, explica Ulisses Silva, diretor de operações da NIAD Shopping Centers.
Para Pedro Villarino, diretor de produtos digitais e novos negócios da Allos, a combinação de dados em uma única plataforma permite acelerar decisões, aumentar a eficiência operacional e criar experiências mais relevantes para os diferentes públicos.
Na companhia, a IA apoia desde o atendimento ao cliente até a geração de inteligência de negócios.
A mesma lógica aparece no Grupo AD, que consolida as informações de mais de 50 empreendimentos em uma base única para alimentar plataformas analíticas e agentes de IA.
Segundo a empresa, a integração torna possível acompanhar indicadores comerciais e operacionais praticamente em tempo real, acelerando decisões em áreas como comercial, marketing, finanças e gestão dos empreendimentos.
O próximo passo dessa transformação é a adoção de agentes de IA.
A Almeida Junior opera sete agentes especializados para funções internas e comerciais, enquanto o Grupo AD criou uma plataforma de “funcionários digitais” e afirma que um dos projetos economiza mais de 4 mil horas anuais de trabalho operacional.
“Estamos entrando na era agêntica”, resume Magali Sanchez, sócia-diretora comercial da empresa.
Empresas como Ancar Ivanhoe e Multiplan também incorporam modelos analíticos para apoiar a gestão e o relacionamento com clientes.
Nesse novo cenário, se antes o principal ativo era a localização, agora passa a ser o conhecimento sobre quem frequenta o shopping.
Aplicativos como AJ Fans (Almeida Junior) e Multi (Multiplan) permitem personalizar ofertas e conhecer melhor o comportamento do consumidor.
“Quanto mais a gente entende o perfil dos clientes de cada shopping, maior é a nossa capacidade de engajar o cliente com ofertas e benefícios direcionados a eles e reduzir a fricção em serviços prestados”, explica Diego Tranquellim, diretor de marketing e relacionamento da Almeida Junior.
Na Multiplan, os dados do aplicativo Multi levaram à adoção do pagamento automático do estacionamento, reduzindo o tempo médio de entrada de 13 segundos para 2 segundos e eliminando milhões de tíquetes de papel, segundo Marcelo Martins, vice-presidente de operações da empresa.
O impacto da inteligência artificial vai além da relação com o consumidor.
A tecnologia também começa a transformar processos comerciais e administrativos dos empreendimentos.
Um exemplo é a Lug, assistente virtual do Grupo AD para comercialização de lojas e espaços de mídia.
A ferramenta automatiza propostas comerciais e reduziu o tempo de atendimento de até 24 horas para cerca de cinco minutos.
Embora boa parte das aplicações permaneça invisível ao consumidor, algumas iniciativas começam a levar essa tecnologia para o salão de vendas, ainda que apenas como parte de campanhas de marketing sazonais.
Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o SP Market testou um provador virtual com IA.
A plataforma escaneava o corpo do cliente e projetava o caimento real das roupas na tela.
A ação gerou 3.400 ativações e exemplifica como a realidade aumentada e a IA generativa começam a impactar a experiência presencial do consumidor.
De acordo com especialistas, a corrida pela competitividade dos shopping centers passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar dados em decisões, inteligência artificial em eficiência e tecnologia em novas oportunidades de negócios.
O concreto continua sendo a base do empreendimento, mas os algoritmos começam a definir sua vantagem competitiva.
Algoritmo é peça central de competitividade nos shoppings
Fonte:
