Aliado de Ciro, Ivo Gomes afirma que Cid é manipulado por Camilo Santana:

Aliado de Ciro, Ivo Gomes afirma que Cid é manipulado por Camilo Santana: 'Não estou o conhecendo mais '

Fonte: Bandeira da fonte

O ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes afirmou no sábado que "está desconhecendo" o irmão Cid Gomes (PSB) após o senador anunciar que disputará a reeleição em chapa petista.
Segundo Ivo, que declara apoio à Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, Cid se "transformou em uma pessoa manipulada por Camilo (Santana)".
Nordeste: Lula prioriza Bahia e Ceará em meio a cenário desafiador para petistas contra ACM Neto e Ciro Gomes
Clãs divididos: Políticos de famílias com tradição nas urnas concorrerão em lados opostos
— Ele se transformou agora numa pessoa manipulada pelo Camilo.
Não sei porque isso está acontecendo.
Eu não estou conhecendo mais o Cid, sinceramente.
Estou desconhecendo uma pessoa com quem eu convivi muito tempo, eu não estou conseguindo entender o que se passa na cabeça dele — disse Ivo a jornalistas evento de lançamento da candidatura de Ciro.
Ivo afirma estar "vendo que o que está movendo o Cid não é mais o bem do Ceará", mas sim derrotar Ciro.
Cid faz parte do arco de alianças do governador Elmano de Freitas (PT) — petista que tenta mais um mandato no Palácio da Abolição em oposição a Ciro.
Ivo, por outro lado, já anunciou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Planalto no pleito deste ano.
Ivo afirmou que ainda não decidiu se votará em Cid ao Senado e afirmou que o senador é o principal "impeditivo" para a união dos irmãos Ferreira Gomes durante a campanha deste ano.
— Eu voto nas pessoas que eu acho que vão fazer um bom trabalho, um melhor trabalho.
Então, não tem como eu não votar no Lula.
E não tem, pelas mesmas razões, como eu não votar no Ciro.
Eu sou brasileiro e sou cearense, quero o melhor para o meu país, quero o melhor para o meu estado.
Por outro lado, Ivo ressaltou que há "zero" chance de dar apoio aos dois candidatos ao Senado da chapa de Ciro.
O ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) são quem estão na composição do tucano.
Em postagem no Instagram, Ivo publicou na semana passada uma imagem de Ciro e escreveu “batendo o centro”, além da frase “Lula presidente 13”.
Ivo Gomes anuncia que apoiará Ciro ao governo do Ceará e Lula ao Planalto
Reprodução/Redes sociais
Ivo rompeu com Elmano após o petista formar aliança com a família Rodrigues, do prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, e do deputado Moses Rodrigues — rivais históricos dos Ferreira Gomes na região.
Ivo classificou o movimento como uma falta de consideração e uma traição pessoal, dado o desgaste que o apoio a Elmano já havia causado na relação com seus irmãos.
Apoio ao Planalto
O posicionamento de Ivo no pleito de 2026 contrasta com o de Ciro, que é aliado do bolsonarismo no estado e afirmou avaliar apoiar as postulações de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) ao Planalto.

Apesar da aliança estadual com o PL, o tucano descarta subir no palanque de Flávio Bolsonaro à Presidência.
A postulação de Ciro, inclusive, foi pivô de um embate no partido, que posicionou publicamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Racha familiar
Cid e Ciro estão afastados há cerca de três anos, quando discordaram sobre quem deveria ser o candidato do PDT no pleito estadual de 2022.
O parlamentar defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu após Camilo deixar o cargo, à medida que Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha à Presidência, o que poderia ter resistências da então governadora em meio ao apoio a Lula.
O PT, que defendia ter o palanque de Izolda, rompeu com o PDT após o escolhido ser Roberto Cláudio e lançou Elmano, que terminou eleito com 54,02% dos votos, contra 31,72% de Wagner e 14,14% do ex-prefeito de Fortaleza.
Um ano depois, em novembro de 2023, Cid saiu do PDT e migrou para o PSB junto a outros dois irmãos, isolando ainda mais Ciro.
Junto com eles, debandaram cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais.