O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse estar "decepcionado" após receber a sinalização de que o ex-secretário estadual Marcelo Aro (PP) concorrerá ao governo de Minas como seu adversário neste ano.
O mandatário havia deixado espaço para Aro disputar o Senado em sua composição, mas foi informado da mudança de planos e do desembarque da federação União-Progressista da sua chapa nesta quinta-feira.
— O ex-secretário me comunicou hoje que está há algumas semanas negociando a candidatura dele ao governo do Estado e disse que eu já deveria estar esperando isso, já que ele não estava satisfeito com a presença de Carlos Viana na minha chapa.
Eu digo que a decepção acaba perseguindo a gente na política, porque a gente lida com gente de todos os tipos, mas no caso dele a decepção é um pouco maior, porque foi ele abrigado no governo durante quatro anos — disse Simões ao GLOBO.
Simões também afirmou que o ex-aliado decidiu "virar as costas" para o projeto que vinha sendo construído por ele e pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), de quem Aro foi secretário da Casa Civil e de Governo após ter perdido a disputa pelo Senado em 2022.
Mateus também afirmou que de Aro que a decisão de concorrer ainda não seria definitiva e que dependeria do senador Cleitinho "mudar de ideia".
O mandatário também criticou o ex-secretário pela aproximação com o Republicanos, partido que, como mostrou o GLOBO, abriga o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, cassado em 2016, mas que buscará se eleger pelo estado neste ano.
— Com isso, Aro anunciou o desembarque do grupo dele do governo em uma reunião do lado de lá do que há de mais estranho na política de Minas Gerais neste momento, que é o Republicanos.
E não é o Republicanos de Cleitinho; é o Republicanos de Euclydes Pettersen e de Eduardo Cunha — afirmou Simões.
— O União e o PP, que não são dos deputados federais daqui, tiveram essa discussão em Brasília, ao arrepio de quem está aqui.
O PL também está em uma construção que retira a liberdade de deputados que sempre foram da nossa base.
Antes de ser informado da decisão de Aro, o governador havia dito, em entrevista ao GLOBO, que não via chance de ruptura do acordo entre os dois e que "palavra não faz curva".
(Matéria em atualização)
