Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que há um constrangimento com a transferência financeira feita pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, ao ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Nos bastidores, integrantes do governo calculam os possíveis impactos do episódio sobre a campanha à reeleição de Lula, sobretudo diante da possibilidade de exploração política por candidatos da chamada terceira via.
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Na avaliação de interlocutores do presidente, o caso aumenta a exposição de Lula durante a disputa eleitoral e pode dificultar a aproximação com o eleitorado independente.
Eles consideram que os inquéritos envolvendo Lulinha representam hoje um dos principais focos de desgaste político para o chefe do Executivo, justamente pela relação familiar entre ambos.
Reservadamente, parte da campanha acredita que adversários na disputa ao Executivo, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), tendem a explorar as investigações para estabelecer um paralelo entre os casos envolvendo Lulinha e as acusações dirigidas à família Bolsonaro.
A proximidade de Marcola com Lula, por ter chefiado o Gabinete Pessoal da Presidência até recentemente, também é vista como um elemento que amplia o potencial de desgaste.
Apesar disso, interlocutores do presidente afirmam que o tratamento público dado ao caso tem buscado afastar qualquer percepção de privilégio.
Na última quinta-feira (30), em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que o filho não receberá tratamento diferenciado caso venha a ser acusado.
Segundo o presidente, Lulinha será tratado "como o filho de qualquer pessoa".
No Palácio do Planalto, há quem avalie que o impacto político das investigações pode ter um limite.
A percepção entre parte dos auxiliares é a de que uma parcela do eleitorado já associa historicamente o PT e Lula a casos de corrupção.
Ainda assim, reconhecem que as investigações contra Lulinha tendem a reforçar esse discurso entre os adversários.
Procurado, Marcola negou qualquer ilícito no pagamento.
Ele diz que recebeu os valores, sem especificar quanto, na forma de um empréstimo, posteriormente quitado.
Roberta é investigada pela PF em casos que envolvem Lulinha.
O primogênito do petista é alvo de três inquéritos abertos desde a semana passada por suspeita de cometer o crime de tráfico de influência.
Integrantes da campanha admitem, ainda, que os episódios interrompem um momento considerado favorável ao governo.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada no último dia 15 mostrou, pela primeira vez desde dezembro de 2024, que a aprovação da gestão Lula superou numericamente a desaprovação.
Segundo o levantamento, o governo é aprovado por 48% da população.
Em paralelo, pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho apontou Lula com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 43%.
Aliados de Lula veem constrangimento com casos de Lulinha e Marcola e calculam desgaste eleitoral
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