A Alphabet Inc.
ajudou a reacender o apetite dos investidores por dívidas ligadas à inteligência artificial (IA) ao oferecer rendimentos generosos, garantindo um dos maiores livros de ofertas do ano para sua mais recente emissão de títulos de grande porte.
A controladora do Google e do YouTube atraiu um pico de demanda de cerca de US$ 115 bilhões pela oferta, mais de quatro vezes o tamanho previsto de até US$ 25 bilhões, segundo pessoas a par do assunto.
Isso tornaria a operação a terceira maior em termos de demanda entre as emissões de títulos de 2026, ficando atrás apenas dos US$ 129 bilhões registrados na operação da Oracle em fevereiro e dos cerca de US$ 126 bilhões na venda da Amazon em março.
A forte receptividade dos investidores destaca uma mudança de sentimento após uma enxurrada de emissões de dívida e preocupações com gastos excessivos em infraestrutura de inteligência artificial terem provocado uma onda de vendas de títulos de tecnologia no mês passado.
A Alphabet informou aos investidores nesta quinta-feira, por meio de seus intermediários financeiros, que planeja realizar emissões de dívida nos EUA duas vezes ao ano, disseram algumas das pessoas, pedindo para não serem identificadas por não terem autorização para falar publicamente.
A mensagem provavelmente visava acalmar as preocupações dos investidores quanto à chegada de novas ofertas de dívida do setor de tecnologia ao mercado.
Prêmios mais generosos do que o habitual também ajudaram a atrair demanda para a oferta de dívida da Alphabet.
A empresa está vendendo títulos divididos em até dez séries, com vencimentos variando de dois a 40 anos.
O prêmio de rendimento para o prazo mais longo está sendo negociado em 1,3 ponto percentual acima dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), abaixo da indicação inicial de 1,55 ponto percentual.
Esse spread mais baixo implica um prêmio de emissão de até 0,15 ponto percentual, superior à média inferior a 0,04 registrada este ano para emissões de títulos com grau de investimento nos EUA, segundo dados compilados pela Bloomberg.
"Essas operações exigem concessões maiores devido ao arrefecimento do apetite dos investidores", disse Tony Trzcinka, gestor de portfólio da Impax Asset Management.
A Alphabet vendeu US$ 20 bilhões em títulos em fevereiro, em uma operação que atraiu cerca de US$ 103 bilhões em demanda, antes de precificar papéis em francos suíços, libras esterlinas, euros, dólares canadenses e ienes japoneses.
A empresa acabou emitindo mais de US$ 50 bilhões em dívida no primeiro semestre de 2026, além de quase US$ 85 bilhões em ações.
A Alphabet e os bancos que coordenaram a operação — Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley e Wells Fargo — não quiseram comentar ou não responderam aos pedidos de comentário.
Os títulos vendidos pela Alphabet em fevereiro perdiam valor nesta quinta-feira e estavam sendo negociados com spreads mais amplos do que no momento da precificação, segundo dados do sistema Trace.
O apetite dos investidores por títulos ligados a IA para financiar investimentos de capital (Capex) esfriou em julho, à medida que a Alphabet elevou sua previsão de gastos para até US$ 205 bilhões — mais que o dobro dos desembolsos previstos para 2025.
Os investimentos de capital contribuíram para que a Alphabet registrasse, no mês passado, seu primeiro trimestre de fluxo de caixa negativo desde a oferta pública inicial (IPO), em 2004.
Uma empresa ligada à BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, vendeu, na semana passada, US$ 12.5 bilhões em títulos vinculados a um projeto de data center da Meta Platforms, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, no Texas.
A demanda inicial foi fraca, e a operação foi uma rara transação de grau de investimento a ser precificada no patamar inicial sugerido.
Isso ocorreu após o interesse morno em uma oferta da Amazon e o alargamento dos spreads no mercado secundário para títulos recém-emitidos ligados a IA de empresas como a SpaceX.
Alphabet atrai investidores para mega emissão de títulos com prêmios elevados
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