O Vila Nova, de Goiás, confirmou que o lateral-direito Hayner foi um dos alvos da Operação A Tropa, deflagrada na manhã desta segunda-feira contra uma organização criminosa suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas e de armas e de possíveis vínculos com uma facção criminosa.
Em relato ao clube, o atleta negou qualquer prática ilícita e disse acreditar que seu nome entrou na mira das autoridades apenas por uma "amizade de infância" com um investigado.
Agentes fizeram buscas na residência do atleta e no armário pessoal dele no Centro de Treinamento Vila do Tigre.
O atacante do Vasco David Corrêa, o também capixaba DVD, foi alvo da mesma ação.
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O nome da operação leva o nome pelo qual os investigados costumavam chamar o grupo criminoso: "A Tropa".
Quatro pessoas foram presas durante a operação, nenhuma delas jogadores de futebol.
Dois mandados foram cumpridos contra alvos que estavam em liberdade — um deles também foi preso em flagrante por posse de arma de fogo.
Outros dois mandados foram cumpridos contra indivíduos que já estavam presos.
Amigos de longa data, os capixabas de Serra (ES) exibiam a proximidade nas redes sociais.
Em dezembro de 2023, os dois posaram juntos a bordo de uma embarcação de luxo.
"Duque da mesma linha", escreveu o lateral, na postagem.
Em agosto do ano passado, o lateral celebrou o gol de DVD contra o próprio time, o Santos — estava, à época, emprestado para o CRB.
"Isso é DVD", escreveu ele, com uma foto que reproduzia a cena na televisão do amigo em campo e o placar de 2 a 0 para o adversário (o jogo acabou 6 a 0 para o Vasco).
Na época, o Peixe chegou a enviar o nome de Hayner para o jurídico avaliar se alguma medida contra ele seria tomada.
Hoje, ainda ligado ao clube paulista, ele está emprestado ao Vila Nova.
Hayner celebrou gol de DVD contra o próprio time, o Santos
Reprodução/Instagram
Pelo Instagram, o Vila Nova reproduziu o relato de Hayner, que negou qualquer envolvimento de sua parte com atividades ilícitas.
"Hayner acredita que tenha sido incluído entre os alvos da medida judicial em razão de uma amizade de infância com um dos investigados por tráfico de drogas, que é oriundo da mesma comunidade onde o jogador cresceu, no Espírito Santo, local também relacionado a outros atletas que foram alvo da operação", afirmou o time, sem detalhar nomes de outros alvos.
O clube acrescentou que a medida policial vai "averiguar a eventual existência, ou não, de qualquer relação ilícita entre o atleta e o investigado" e ressaltou que o lateral colaborou com a apuração.
O Vila Nova disse ainda que respeita integralmente o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, que Hayner sempre agiu com profissionalismo e que, até o momento, "segue exercendo normalmente suas atividades profissionais".
Na Operação A Tropa, agentes saíram às ruas para cumprir quatro mandados de prisão temporária e 15 ordens de busca e apreensão.
O centro de treinamento do Vasco, no Rio, também teve busca.
As diligências são realizadas em municípios da Grande Vitória e também em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, além de alvos localizados nos estados de Rio de Janeiro e Goiás e no Distrito Federal.
Agentes chegam ao apartamento do jogador David Corrêa
Polícia Civil/Divulgação
"Os alvos são investigados pela prática dos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e de armas e lavagem de dinheiro.
As investigações buscam reunir elementos que contribuam para o esclarecimento dos crimes e a desarticulação da estrutura criminosa investigada", destacou a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES).
Segundo as investigações, também são analisados possíveis envolvimentos de outros atletas profissionais e empresários com a quadrilha.
No Rio de Janeiro, a ação é coordenada pela 14ª DP (Leblon), com apoio da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Desarme) e de outras unidades do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC).
A operação integra uma atuação conjunta entre as polícias civis dos estados para o cumprimento de medidas judiciais e o enfrentamento de organizações criminosas que atuam de forma interestadual.
Procurada, a assessoria de imprensa do Vasco da Gama informou que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações.
A assessoria de David Corrêa não retornou o contato.
O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
