O Alzheimer afeta mais de 2 milhões de brasileiros, de acordo com dados do Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil de 2023.
Ainda que seus efeitos sejam bem conhecidos, ainda existem incertezas sobre as causas.
Mas isso parece estar começando a mudar.
Um novo estudo descobriu que ocorre uma disfunção das mitocôndrias em cérebros de pessoas que vivem com a doença.
Os achados, publicados na revista científica Nature Neuroscience, indicam que, ainda nos estágios iniciais do Alzheimer, ocorre o acúmulo de placas mitocondriais.
Isto significa que o cérebro não consegue reciclar as mitocôndrias — estruturas responsáveis pela geração de energia da célula — disfuncionais.
"Investigações ultraestruturais iniciais mostraram uma presença proeminente de mitocôndrias degeneradas no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer, e nossa pesquisa recente indica comprometimento da mitofagia em modelos de Alzheimer, um processo que elimina mitocôndrias danificadas", afirmam os pesquisadores.
Os pesquisadores também descobriram que as placas mitocondriais contêm altos níveis da proteína precursora de amiloide, molécula responsável pela formação da proteína beta-amiloide.
Eles observaram que, durante a progressão da doença, as placas mitocondriais frequentemente aparecem ao lado das placas amiloides tradicionais, o que sugere uma contribuição direta.
Além disso, ao contrário das placas amiloides encontradas fora das células cerebrais, a equipe acredita que essas placas podem afetar diretamente os neurônios, o que as torna um novo alvo potencial para tratamentos.
Elas foram encontradas em "sacos de lixo de células" nos cérebros de ratos geneticamente modificados e em cérebros humanos post-mortem com Alzheimer.
Nos camundongos ela aparece a 15 semanas, o que equivale ao início da idade adulta humana.
A concentração dessas placas mitocondriais seguiram aumentando com o passar do tempo, o que resultou em um acúmulo abundante de mitocôndrias entre 50 e 60 semanas.
Em outras palavras, isso indica o declínio na capacidade de reciclagem do cérebro.
“Ao entendermos como essas placas se formam e contribuem para a progressão da doença, poderemos desenvolver novas estratégias para retardar ou mesmo prevenir a doença de Alzheimer”, afirma Paul Robbins, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Minnesota.
Os próximos passos da equipe serão a identificação de biomarcadores de placas mitocondriais e a triagem de medicamentos que possam prevenir seu acúmulo.
Alzheimer: cientistas descobrem estrutura inédita com potencial para ser novo alvo terapêutico
Fonte:
