Enquanto a América do Norte enfrenta restrições no crescimento da produção de carne bovina, por razões estruturais, a América do Sul se fortalece como fornecedora global da proteína, disse o CEO da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, nesta quinta-feira (27/8) durante evento em Barretos (SP).
Além disso, a China impôs limites para a importação de carne bovina a partir deste ano, no formato de cotas com tarifa reduzida, que devem fazer com que as vendas do produto sul-americano sejam mais pulverizadas pelo mundo.
“Por isso a Minerva quer ser cada vez mais analisada como um player da América do Sul, não do Brasil”, disse Queiroz a jornalistas.
O executivo comentou que não há perspectiva de mudanças na política de cotas da China, previstas para durar até o fim de 2028.
“É muito improvável que neste período haja alguma alteração.
O que pode ocorrer é uma ordenação do sistema de cotas”, afirmou o CEO, referindo-se a uma eventual distribuição de cotas entre empresas.
Por outro lado, o executivo citou a missão de autoridades japonesas ao Brasil e o diálogo do governo brasileiro buscando a abertura do mercado da Coreia do Sul à carne bovina brasileira como outros movimentos promissores para o setor e a empresa.
“O Brasil foi declarado livre de aftosa sem vacinação, então o mercado coreano está apressando a aprovação [da abertura à carne bovina do Brasil].
O Japão deve estar aprovando [a abertura de seu mercado] à Argentina muito em breve, e estamos falando de países que estão entre os maiores destinos globais de carne bovina”, afirmou Queiroz.
“Acreditamos que a Argentina será o primeiro país, entre os que ainda não exportam ao Japão, que terá aquele mercado aberto”, acrescentou.
Sobre a Coreia, o executivo ressaltou que o país importa 60% do que consome de carne bovina, a grande maioria dos Estados Unidos e Austrália, e que o Brasil atualmente é mais competitivo do que estes países concorrentes.
Argentina
O diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, disse em apresentação a analistas que há possibilidade de a Argentina se tornar, em 2027, a segunda principal origem de carne vendida pela empresa em receita - hoje é a quarta origem, atrás de Brasil, Paraguai e Uruguai.
Segundo o executivo financeiro, a Argentina vem aumentando produção e abates de bovinos, e a empresa está ampliando sua capacidade de abate na fábrica localizada no país.
Ao mesmo tempo, os preços pagos pela carne argentina vêm subindo mais do que valor do produto vindo de outras origens, sustentados pela demanda norte-americana.
Outra vantagem é o fato de a Argentina não ter restrição de volume a ser exportado à China, lembrou Queiroz.
*A jornalista viajou a convite da Minerva Foods
