Anfiteatro de Beric? Como homem criou

Anfiteatro de Beric? Como homem criou 'ruína romana' falsa e cobrava até R$ 240 para visita de turistas na Itália

Fonte: Bandeira da fonte

Turistas chegaram a pagar até 40 euros (o equivalente a cerca de R$ 240 na cotação atual) para visitar uma construção apresentada como um antigo sítio arqueológico nas colinas de Arcugnano, na província italiana de Vicenza.
O chamado Anfiteatro de Beric, porém, era uma construção moderna feita com cimento, gesso, pedra tratada e poliestireno para simular uma ruína antiga.
O responsável pela atração, Franco Malosso, de 69 anos, foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão.
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O complexo ocupava aproximadamente 5 mil metros quadrados e oferecia visitas guiadas e outras atividades.
Aos visitantes, o local era apresentado como uma estrutura ligada às culturas grega e romana e associada a personagens como Júlio César, Cleópatra e Julieta Capuleto.
‘Ruína’ foi construída com cimento, gesso e isopor
As investigações concluíram que não havia vestígios arqueológicos antigos sob as construções.
Os degraus haviam sido feitos com pedra moderna tratada para simular sinais de desgaste, enquanto as colunas eram de cimento e as esculturas, de gesso.
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Reprodução / Tviweb via El Tiempo
O complexo também incluía um lago escavado no terreno.
Parte de uma estrutura de contenção utilizava poliestireno, material conhecido como isopor.
A própria configuração da construção levantava dúvidas.
Embora fosse apresentada como um anfiteatro, sua planta era semicircular, característica mais associada a um teatro.
Uma arena como o Coliseu de Roma, por exemplo, tem formato oval.
A localização do suposto sítio, em uma área rural nas colinas de Vicenza, também chamou a atenção das autoridades.
Investigação começou em 2016
As autoridades começaram a investigar o caso em 2016, quando ele chegou aos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio.
Uma inspeção confirmou que não havia vestígios arqueológicos antigos sob os edifícios e concluiu que o complexo havia sido construído recentemente.
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Reprodução / Tviweb via El Tiempo
Também foi constatado que a obra afetava uma área de proteção paisagística.
O caso permaneceu em disputa judicial por aproximadamente uma década.
Durante o processo, Malosso modificou sua versão sobre a origem da construção.
Inicialmente, apresentava o local como uma descoberta antiga.
Depois, passou a afirmar que se tratava de uma reconstrução de um suposto teatro que teria existido anteriormente.
As autoridades culturais rejeitaram essa explicação.
‘É totalmente absurdo’
Especialistas afirmaram que diferentes elementos permitem distinguir uma construção histórica de uma moderna, entre eles materiais, técnicas arquitetônicas, contexto geográfico e sinais de desgaste provocados pelo tempo.
O arqueólogo Jacopo Bonetto resumiu:
— É totalmente absurdo pensar que um edifício antigo possa ser confundido com um moderno, mesmo que sejam construídos da mesma maneira — afirmou Bonetto.
Segundo as informações do caso, o chamado Anfiteatro de Beric era promovido com uma narrativa repleta de referências à Antiguidade, mas várias das afirmações apresentadas aos visitantes continham contradições históricas.
O tribunal confirmou a responsabilidade de Malosso pela construção ilegal e pela falsificação de obras de arte.
Além da pena de dois anos e quatro meses de prisão, foram determinadas multas.
Malosso também foi obrigado a restaurar o terreno ao estado original, encerrando uma disputa que se prolongou por aproximadamente uma década.