Ao aprovar chapa com Haddad, PSB paulista faz rap contra Tarcísio, lembra cadeirada de Datena e promete

Ao aprovar chapa com Haddad, PSB paulista faz rap contra Tarcísio, lembra cadeirada de Datena e promete 'enterrar a extrema direita'

Fonte: Bandeira da fonte

O PSB de São Paulo aprovou, na noite desta sexta-feira (31), a coligação com o PT de Fernando Haddad nas eleições estaduais deste ano, tendo como representantes do partido na chapa Simone Tebet, que concorre ao Senado, e Márcio França, candidato a vice-governador.
A convenção, realizada no plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), teve direito a apresentação de rap contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), novo slogan para a “cadeirada” de José Luiz Datena e promessas de “enterrar” o bolsonarismo em 2026.
— Este é o ano mais importante e decisivo da nossa história.
Podemos aniquilar, enterrar a extrema direita no Brasil, mas corremos o risco de ter que suportar 8, 12 anos de retrocesso.
A história vai cobrar, mas não de nós, que estamos do lado certo.
Nós sabemos do poder da nossa militância e vamos enterrar, de uma vez por todas, a extrema direita em São Paulo e em qualquer rincão deste querido e amado Brasil — discursou Tebet, ex-ministra do Planejamento do governo Lula (PT).
No próximo domingo (2), o PT deve encaminhar a chapa presidencial mantendo Geraldo Alckmin (PSB) no cargo de vice de Lula.
A convenção nacional ocorre na capital paulista.
Apesar disso, apenas Alckmin esteve presente na Alesp.
O evento deu o tom da campanha eleitoral contra Tarcísio e o candidato apoiado por ele a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao mesmo tempo em que a chapa lulista pede um “despertar” sobre a atual gestão, criticada por métodos educacionais e alguns indicadores de segurança pública, como a violência contra a mulher, empenha-se em apontar um risco contra a democracia e a soberania em nível federal, diante de questionamentos à confiabilidade das urnas eletrônicas e ao alinhamento político dos adversários com o presidente dos EUA, Donald Trump.
— O Trump sabe que tem quinta coluna no Brasil torcendo por ele e não por nós.
Isso é muito grave: colocar a soberania do país em risco, a democracia do Brasil em risco, até hoje questionando o resultado da urna eletrônica, querendo mandar observadores internacionais para uma eleição da maior lisura, invejada no mundo inteiro — declarou Haddad, alegando que a América Latina está sob ameaça e que o Brasil voltou a ser respeitado na política externa em quatro anos de Lula e Alckmin.
Marina Silva (Rede), que concorre junto com Tebet para as duas vagas abertas ao Senado contra o grupo político de Tarcísio, fez elogios à “frente ampla” construída pelo PT na eleição passada.
Ex-ministra do Meio Ambiente, ela comparou o conjunto de partidos de esquerda, entre eles o PSB, a um “bioma da democracia”, que se torna forte apenas “se tiver vários ecossistemas”.
— Ao invés de ir pra rua, o Flávio começa a se juntar com o que há de pior no mundo, com essa extrema direita autoritária, com Trump, com Milei (presidente da Argentina), com Netanyahu (primeiro-ministro de Israel), porque ele acha que a vitória da eleição não é o povo brasileiro que vai dar, mas vai vir por ingerência de quem está fora e pelo entreguismo da família Bolsonaro.
Mas a gente não vai deixar — afirmou a deputada federal Tabata Amaral (PSB).
França chamou novamente Tarcísio de “traíra”, o que já havia feito antes na convenção do PT, no final de semana, em Campinas, e procurou associá-lo a alguém que não tem estatura para ser governador de São Paulo.
“Ele tem tamanho de vagão”, atacou o ex-governador e ministro do governo Lula, ao classificar o estado paulista como uma “locomotiva” em termos políticos e econômicos.
— Se a gente acertar a mão aqui no Haddad, nós ganhamos a eleição no primeiro turno para o presidente Lula e mandamos todo mundo para o espaço sideral.
Até agora, como dizem naquelas lutas do MMA, eles disputaram com meninos, mas agora vão disputar com homens de verdade.
Eu quero ver Tarcísio vir falar com a gente.
Nem vai precisar das cadeiradas do Datena — disse.
O ex-apresentador do “Brasil Urgente”, da TV Bandeirantes, levou então ao púlpito o objeto que usou contra o empresário e influenciador Pablo Marçal, na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2024.
Engatou uma frase atrás da outra para alegar que não se orgulha do ato de violência praticado no debate da TV Cultura, mas reagiu a provocações e pensou na esposa que o estava assistindo.
Candidato a deputado federal, defendeu dar cadeiradas “nas injustiças que estamos vivendo e no entreguismo barato que existe nesse país”.
Alckmin fechou o evento em meio a um certo constrangimento pela cena.

— O que os nossos adversários fizeram no governo? Eles tiraram o imposto para três coisas: jet ski, veleiro e arma de fogo.
O Haddad e o Lula tiraram o imposto de renda dos trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, para quem merece, para quem trabalha — disse o vice-presidente da República.
— Nós temos dois meses para percorrer a geografia de São Paulo, desde o litoral até as barrancas do Rio Paraná, desde o Rio Grande até o Paranapanema.