Ao divulgar seu balanço trimestral nesta terça-feira, o Uber informou que o total de viagens (corridas e delivery) ficou ligeiramente abaixo das projeções de analistas do mercado e disse que a forte concorrência em seu principal mercado, o Brasil, pressionou o volume de viagens.
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De acordo com a empresa, o número de viagens — que engloba tanto corridas quanto entregas — cresceu 18%, para 3,87 bilhões no segundo trimestre, abaixo da estimativa média dos analistas, de 3,9 bilhões.
A empresa afirmou que a desaceleração do crescimento das viagens foi "inteiramente atribuída ao Brasil", seu mercado de maior volume em todo o mundo.
A concorrência na região se intensificou à medida que rivais chinesas, como a Didi, dona da 99, e a Meituan, dona da Keeta, ampliaram seus investimentos no país e acirraram a disputa por entregadores locais que utilizam bicicletas.
Enquanto isso, as reservas brutas totais (gross bookings) — principal indicador que inclui corridas, pedidos de entrega e os ganhos de motoristas e comerciantes, mas exclui gorjetas — deverão ficar entre US$ 58,25 bilhões e US$ 60,25 bilhões no trimestre encerrado em setembro, informou a companhia nesta quarta-feira.
Analistas consultados pela Bloomberg projetavam, em média, US$ 59,3 bilhões.
A empresa atribuiu parte do impacto à valorização do dólar, afirmando que os efeitos cambiais reduziram em cerca de um ponto percentual o crescimento reportado das reservas brutas considerado na projeção.
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O lucro ajustado por ação no período também ficou em linha com as projeções dos analistas.
A Uber também prevê lucro ajustado por ação entre US$ 0,84 e US$ 0,88 no terceiro trimestre, em linha com as expectativas do mercado.
Uma projeção para o principal negócio da Uber que apenas correspondeu às expectativas dificilmente deve entusiasmar os investidores, que buscam sinais de que a empresa conseguirá manter seu crescimento à medida que os robotáxis se tornem mais comuns.
Essas preocupações contribuíram para uma queda de 12% das ações da companhia neste ano, antes da divulgação do balanço desta quarta-feira.
Após a publicação dos resultados, os papéis recuavam 1,4% nas negociações pré-mercado nos EUA.
A reação morna do mercado acabou ofuscando os US$ 58 bilhões em reservas brutas registrados no segundo trimestre, impulsionados em parte por um forte aumento da demanda durante a Copa do Mundo.
Wall Street esperava reservas de US$ 57,2 bilhões para o período.
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David Paul Morris/Bloomberg
O balanço da Uber também deve definir as expectativas para os setores de transporte por aplicativo e entrega de alimentos.
A concorrente DoorDash divulgará seus resultados na tarde desta quarta-feira, enquanto Lyft e Instacart publicarão seus balanços na quinta-feira.
Avanço dos robotáxis
A Uber anunciou mais cedo nesta quarta-feira que lançará, nas próximas semanas, um serviço de robotáxis em Londres em parceria com a startup britânica Wayve Technologies, antecipando-se aos lançamentos planejados pela Baidu e pela Waymo, da Alphabet.
No entanto, os veículos da Wayve ainda contarão com um motorista de segurança a bordo para monitorar as viagens.
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Isso ocorre porque as empresas optaram por operar sob uma licença convencional para veículos de transporte privado.
Uma licença diferente, que permitiria operações totalmente sem motorista, ainda depende de aprovações regulatórias adicionais.
A Uber já afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões em parcerias envolvendo robotáxis nos próximos anos.
Executivos da empresa deixaram claro que a maioria dos acordos para veículos autônomos, anunciados em rápida sucessão no ano passado, levará anos para gerar resultados concretos.
Ainda assim, isso não impediu que alguns investidores questionassem as perspectivas da companhia, especialmente porque a Waymo, líder do mercado de robotáxis nos Estados Unidos e uma das primeiras parceiras da Uber nessa área, avançou na expansão de seus veículos sem motorista para mais cidades americanas utilizando seu próprio aplicativo, em vez da plataforma da Uber.
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O diretor-presidente da Uber, Dara Khosrowshahi, buscou tranquilizar os investidores em comentários divulgados nesta quarta-feira, reiterando que a empresa está bem posicionada para se tornar a principal plataforma de comercialização de serviços de robotáxis.
— Desenvolver um excelente motorista autônomo é apenas uma parte da construção de um negócio autônomo bem-sucedido — afirmou.
— O sucesso comercial também exige agregação de demanda em um marketplace, despacho inteligente, integração dos veículos, operações de frota, infraestrutura de recarga, financiamento, seguros e um relacionamento profundo com reguladores e comunidades locais.
Khosrowshahi afirmou ainda que a Uber continua no caminho para oferecer serviços de robotáxis em até 15 cidades até o fim deste ano, incluindo a região da Baía de São Francisco, Los Angeles, Zurique, Madri e Tóquio.
Atualmente, a empresa já opera veículos autônomos em sete cidades ao redor do mundo, embora essas operações ainda sejam limitadas em escala.
