Após acusação de apoio ao terrorismo, fundador do Telegram usa imagem de jihadista em perfis nas redes sociais - QTU Questões do Universo

Após acusação de apoio ao terrorismo, fundador do Telegram usa imagem de jihadista em perfis nas redes sociais

Fonte: Bandeira da fonte

Depois de ser formalmente acusado de apoio ao terrorismo pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) e entrar para a infame lista de terroristas e extremistas, o fundador do Telegram, Pavel Durov, respondeu com ironia, e passou a usar em suas redes sociais uma velha montagem sua como se fosse um jihardista do Estado Islâmico.
Durov, que vive no exterior há mais de dez anos, teve a detenção decretada e pode ser condenado até à prisão perpétua se resolver voltar à Rússia.

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A mudança nos perfis começou a ser notada por usuários na manhã desta quarta-feira.
Um deles foi Georgy Lobushkin, que era assessor de imprensa do gigante da tecnologia russo VKontakte, no período em que Durov trabalhou ali.
A imagem não é exatamente nova: ela viralizou em 2017, por obra do próprio bilionário, que à época já se encontrava em meio a conflitos legais com as autoridades em Moscou.
Contudo, a mudança não durou muito, e as redes não fazem menção à imagem do jihadista.
Na véspera, o FSB acusou formalmente Durov de apoio ao terrorismo, afirmando que o Telegram se recusa a excluir canais onde, segundo as autoridades, agências de inteligência planejam atos de sabotagem, fraudes e assassinatos na Federação Russa.
A acusação alega ainda que essa suposta omissão resultou em “numerosas vítimas humanas” e em “danos materiais de bilhões de dólares”.
Um alvo dos investigadores é o chatbot Dayvinchik, oficialmente um serviço destinado a promover encontros mas que é acusado de servir de fachada para o recrutamento de jovens pelas agências de inteligência da Ucrânia.
Ao menos 19 pessoas teriam sido presas na Rússia por suposto envolvimento “na prática de crimes através do serviço mencionado”, diz o Comitê de Investigação russo.
O FSB, por sua vez, anunciou 46 prisões associadas ao inquérito, que foi aberto em fevereiro.
Durov não se pronunciou, e a conta do Telegram na rede social X publicou uma imagem que pode falar por si só.
Publicação do serviço de mensagens Telegram na rede social X
Reprodução/Redes Sociais
Nesta quinta-feira, o processo ganhou um novo capítulo, com a inclusão de Durov na lista de extremistas e terroristas do Serviço Federal de Monitoramento Financeiro.
Na prática, seus bens na Federação Russa serão congelados e interações com a imprensa ou órgãos públicos são proibidas.
O bilionário vive nos Emirados Árabes Unidos desde 2017.

Embora tenha nomes associados a atos violentos, a Anistia Internacional afirma que a lista é usada como uma ferramenta do Estado russo para silenciar dissidentes — pouco antes de morrer no cárcere, Alexei Navalny, um dos mais conhecidos opositores ao governo de Vladimir Putin, foi condenado a 19 anos de prisão por “extremismo”, e a sua Fundação Anti-Terrorismo foi classificada como organização terrorista no ano passado.

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Banido em vários países e alvo de um bloqueio quase total na Rússia, o Telegram tem cerca de 950 milhões de usuários pelo mundo, e se apresenta como um aplicativo de mensagens que prioriza a privacidade de seus usuários.
Contudo, críticos apontam para mecanismos falhos de moderação e remoção de conteúdos, o que a empresa nega.

Em 2024, Durov foi preso na França como parte de uma investigação sobre crimes como a distribuição de imagens de abuso de menores, tráfico de drogas e fraudes ocorridos dentro da plataforma.
Durov foi liberado após pagamento de fiança de € 5 milhões, e o caso foi tratado pelo Kremlin como uma demonstração de perseguição ocidental aos russos.
— Mas todas as plataformas desse tipo são culpadas disso.
Se é isso que estão fazendo com Durov, então outros provavelmente deveriam ser presos — disse Putin em setembro de 2024.
— As ações do governo francês não estão totalmente claras para mim, pois são seletivas.