Após crescimento de Cury, campanhas de Caiado, Zema e Renan falam de experiência, sobem o tom contra o STF e fazem ataques - QTU Questões do Universo

Após crescimento de Cury, campanhas de Caiado, Zema e Renan falam de experiência, sobem o tom contra o STF e fazem ataques

Fonte: Bandeira da fonte

Os resultados da nova rodada da Quaest, divulgados nesta quarta-feira, mostram um salto no desempenho do psiquiatra Augusto Cury (Avante), movimento interpretado pelas campanhas como um sinal de abertura do eleitorado para opções para além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O desempenho do escritor também mexe, nos bastidores, com as estratégias de Ronaldo Caiado (PSD), que tem buscado se diferenciar pela experiência de gestão em Goiás, de Romeu Zema (Novo), que voltará a subir o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Já Renan Santos (Missão) decidiu partir para o confronto com o novo adversário.

Dentro da campanha de Cury, os 10% obtidos na Quaest de hoje foram vistos como um sinal de que, pela primeira vez, o escritor conseguiu alcançar o eleitor indeciso e que foge da polarização entre Lula e Flávio.
Interlocutores também argumentam que o resultado demonstra que a curva de crescimento dele nos últimos dias não tem sido "inflada" de forma artificial, como os adversários têm acusado.
Como mostrou o GLOBO, o escritor teve um crescimento de 2,5 milhões de seguidores no Instagram na semana passada e um salto no índice de popularidade digital (IPD) medido pela Quaest de 37,8 para 54,5 pontos em uma escala que vai de 0 a 100.
O movimento aconteceu na esteira de aparições na TV, do apoio de influenciadores, inclusive de criadores de conteúdo cristão, e nomes como o ex-coach Pablo Marçal (PRTB).

Para os próximos dias, a campanha também prevê que o trabalho estará focado em refinar a imagem da candidatura, apostando na melhora da apresentação das propostas, criticada após a sabatina no Jornal Nacional no final de semana passado, e na apresentação dos nomes escolhidos por Cury para o comando dos ministérios em um eventual governo, estratégia que já tem sido adotada por Flávio e Caiado.
Após a divulgação da pesquisa, o psiquiatra publicou nas redes sociais um vídeo com uma alfinetada a Lula e Flávio, apresentando-se como o único capaz de "ajudar o Brasil a voltar a se ouvir, a pensar e a colocar o país acima dessa guerra interminável".
Na peça, ele também diz não querer ser "mais um lado".
Reação dos adversário
Com 1% das intenções de voto cada, as campanhas de Caiado e Zema, tiveram uma leitura em comum sobre o resultado Quaest e sobre "boom" de Cury: antes com a divisão "calcificada" entre a esquerda lulista e a direita bolsonarista, os eleitores passam a se abrir neste momento para opções além do presidente e de Flávio.
As estratégias dos dois para lidar com essa mudança, no entanto, serão diferentes.

A equipe de Caiado aposta no bom uso do tempo de TV do ex-governador para dar continuidade à apresentação dele como mandatário bem avaliado em Goiás.
A campanha também pretende dar destaque aos três eixos de "discussão de propostas, experiência na gestão pública e autoridade" para diferenciá-lo de Cury.
Internamente, também há a expectativa de que ele tenha um "recall" no Centro-Oeste, apesar de ter pontuado 1% na região na Quaest divulgada nesta quarta-feira.

Questionado sobre o desempenho no levantamento durante o cumprimento de uma agenda em Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, nesta tarde, o ex-governador disse que não costuma "discutir com pesquisa" e que o momento é de os eleitores conhecerem melhor os candidatos
— Eu respeito.
Não discuto com pesquisa de maneira alguma.
Respeito todas elas.
Acho que, neste momento, a sociedade está tentando buscar perplexidade, onde estão os escândalos, e acho que ela vai analisar a vida de cada pré-candidato — afirmou.
— Dá um Google aí no Caiado.
Busca aí o ChatGPT.
Eu não tenho corrupção e não sou um homem que vai aprender a governar na cadeira da Presidência da República.
Já mostrei a minha capacidade de governar um Estado.
A campanha de Zema, por sua vez, explorará os desdobramentos do caso Master e da relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Um relatório publicizado pela Polícia Federal (PF) ontem, por determinação do ministro André Mendonça, mostrou que o banqueiro fez apelos para "sensibilizar autoridades" e perguntou como deveria proceder para "reverter" sua situação.

As novas descobertas são vistas pela equipe de Zema como favoráveis ao ex-governador, que pretende voltar a intensificar as críticas feitas aos "intocáveis", termo usado por ele para classificar classes privilegiadas na política e no Supremo.
A avaliação interna é que Zema tem conseguido "surfar" nesse tema desde o início do ano e que o pior momento da campanha, provocado pela crise política gerada pelos ataques feitos a Flávio Bolsonaro, já passou.

-- Em primeiro lugar, essa pesquisa veio antes desses dois grandes fatores que aconteceram nessa semana, mas eu acredito que muda tudo.
Você teve aí essa questão do inquérito liberado pelo ministro Mendonça, que mostrou que altas autoridades do país estão em contatos cabulosos com o Vorcaro, um banqueiro criminoso.
E o Zema tem sido firme em relação a isso -- disse ao GLOBO o senador Eduardo Girão (Novo), escolhido como vice na chapa presidencial do ex-governador de Minas.
Em paralelo, a campanha de Renan Santos decidiu partir para o ataque contra o novo adversário.
O candidato veio a público nesta quarta-feira para comentar a paralisação de sua campanha nos últimos dias, determinada pelo ministro Dias Toffoli, razão apontada internamente como um dos fatores que justificam seu desempenho abaixo do esperado na Quaest.
Na gravação, o presidente do Missão também acusou Cury de ser sócio do grupo Fictor, que tentou comprar o Master já diante da crise.
-- Augusto Cury, que começou a aparecer nas redes sociais e nas pesquisas, veja só, começou a contratar curiosamente influenciadores que trabalhavam para o Master, sendo que ele próprio tem participações no Fictor, um banco que é relacionado esse mesmo esquema.
Sim amigos, o bom velhinho, muito simpático, é sócio do banco que tentou comprar o Master de maneira fraudulenta no último ano -- disse Renan no vídeo.