A desistência de Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa pelo governo de Minas Gerais recolocou o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) no centro das negociações para comandar a chapa da direita no estado.
Agora favorito, ele será o principal nome em discussão em uma rodada de reuniões nesta terça-feira para tentar encerrar o impasse e consolidar um palanque para Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do país.
A primeira conversa será interna.
Pela manhã, a direção do PL em Minas se reunirá com a cúpula nacional para definir a posição da legenda.
Em seguida, representantes do partido deverão se encontrar com dirigentes do Republicanos e da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, em busca de uma composição conjunta.
Candidato ao Senado, o deputado Domingos Sávio afirmou ao GLOBO que, apesar de a legenda ter sustentado até o fim o apoio a Cleitinho, a prioridade agora é buscar uma composição que reúna partidos de centro e de direita.
— Embora tenhamos mantido o apoio ao Cleitinho como candidato, defendo uma aliança de centro e de direita, e, para isso, temos que fazer reuniões internas.
Vamos ter uma reunião com a direção do PL nacional amanhã de manhã, para que a gente busque uma decisão madura.
Na sequência, vamos conversar com Republicanos, União Brasil e PP para que a gente possa, preferencialmente, caminhar juntos — disse.
Cleitinho desiste da disputa e complica Flávio Bolsonaro
A expectativa dos envolvidos é chegar a uma definição ainda nesta terça-feira, na véspera do fim do prazo para as convenções partidárias.
A saída de Cleitinho eliminou o principal foco de incerteza de uma negociação marcada por sucessivas idas e vindas.
O senador anunciou nesta segunda-feira que permanecerá no Senado e atribuiu a desistência ao momento pessoal que atravessa desde a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia no mês passado.
A decisão foi comunicada depois de uma nova reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e outros dirigentes da legenda.
Aos prantos, Cleitinho afirmou não ter condições de enfrentar uma campanha neste momento.
— Quero pedir perdão porque meu momento não está fácil para mim e para minha família.
Não adianta eu entrar numa campanha agora do jeito que eu estou.
Eu tenho que ser honesto com vocês, tenho que falar a verdade — afirmou.
Aro já era o plano B
Aro já vinha sendo preparado como alternativa diante da indefinição de Cleitinho.
Na semana passada, quando o Republicanos decidiu inicialmente não dar legenda ao senador para disputar o governo, dirigentes das siglas envolvidas na montagem da chapa passaram a discutir o nome do ex-secretário como uma saída para a reta final das convenções.
Com a desistência confirmada, essa articulação ganhou força.
Um dos fatores que favorecem Aro é a disposição de compartilhar o palanque com Flávio durante a campanha presidencial.
O ex-secretário já sinalizou a interlocutores do PL que não criará obstáculos à presença do senador, uma preocupação da direção nacional diante da necessidade de garantir uma referência estadual para seu candidato ao Planalto.
A mudança representa uma reviravolta nos planos de Aro.
Ex-secretário da Casa Civil, ele vinha sendo preparado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do governador Mateus Simões (PSD), mas perdeu espaço na composição após a entrada do senador Carlos Viana no PSD.
Foi a partir daí que seu nome passou a ser discutido para o governo como alternativa para reunir parte da direita contra o atual governador.
Para o PL nacional, o acerto ganhou urgência pelo peso de Minas na eleição presidencial.
A campanha de Flávio tenta há meses consolidar um palanque no estado, mas as negociações ficaram condicionadas à decisão de Cleitinho sobre concorrer ou não ao governo.
Com o senador definitivamente fora da disputa e o prazo das convenções terminando na quarta-feira, a expectativa é que a rodada de reuniões desta terça destrave o arranjo.
