O Republicanos realiza nesta terça-feira, às 9h, em Brasília, sua convenção nacional com uma maioria dos diretórios estaduais contrária a uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL).
A tendência é que a legenda declare neutralidade na disputa presidencial, apesar das sucessivas investidas feitas pelo presidenciável nos últimos dias para tentar reverter a posição e atrair o partido para sua coligação.
A última tentativa ocorreu nesta segunda-feira.
Flávio se reuniu com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, ao lado do coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
O encontro terminou sem acordo e não produziu a sinalização esperada pela campanha de que a legenda poderia rever sua posição.
Durante a conversa, Pereira informou que 17 diretórios estaduais já haviam se manifestado contra uma aliança nacional com Flávio, formando maioria entre as seções estaduais consultadas.
O dirigente não deu uma negativa definitiva e afirmou que ainda concluiria as conversas internas, mas o placar tornou remota a possibilidade de uma reviravolta na convenção.
A campanha chegou ao encontro tentando apresentar como fato novo pesquisas divulgadas recentemente, que apontam para um cenário de empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A melhora animou a campanha, que decidiu usar os números na reta final das negociações para tentar convencer Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de que Flávio permanece competitivo.
A avaliação era que a redução da distância poderia alterar o cálculo de dirigentes que vinham resistindo a embarcar na candidatura por dúvidas sobre suas chances de vitória.
No Republicanos, porém, a pesquisa não foi suficiente até agora para mudar o cenário interno.
Maioria pela neutralidade
A resistência a uma aliança nacional com Flávio vem sobretudo dos diretórios estaduais.
A avaliação predominante é que a neutralidade dá maior liberdade para que o Republicanos preserve acordos regionais distintos e concentre esforços nas disputas para governos estaduais, Câmara e Senado.
Esse cálculo ajuda a explicar a cautela adotada por Marcos Pereira nas negociações.
O presidente do partido manteve abertas as conversas com Flávio e evitou antecipar formalmente a decisão da convenção, mas enfrenta uma maioria interna contrária à entrada na coligação presidencial.
A provável neutralidade também interfere diretamente na escolha do candidato a vice.
Flávio vinha insistindo no nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos, como uma das principais alternativas para a chapa.
Daniella se filiou à legenda no limite do prazo eleitoral e já participava da campanha de Flávio, principalmente na formulação de propostas econômicas e de políticas voltadas às mulheres.
A entrada no Republicanos, no entanto, provocou incômodo na cúpula por ter ocorrido sem uma articulação prévia com Pereira.
Flávio tentou desde então convencer o dirigente a liberar Daniella para a chapa.
Sem o aval do Republicanos, porém, a alternativa fica praticamente inviabilizada.
Como o prazo para troca de partido terminou em abril, ela não poderia migrar agora para o PL ou outra legenda para concorrer à vice.
A resistência do Republicanos se soma a uma sequência de dificuldades enfrentadas por Flávio para construir uma aliança nacional.
Na semana passada, o PP decidiu manter a neutralidade após consultar seus diretórios estaduais e barrou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (MS) integrar a chapa.
Tereza chegou a comunicar a integrantes do PP que estava disposta a aceitar o convite e tentou obter autorização para a composição.
A maioria da legenda, porém, optou por preservar a posição já comunicada ao PL e os acordos regionais construídos pelos diretórios.
O União Brasil, que integra com o PP a federação União Progressista, também resiste a uma adesão nacional.
O Podemos é outra frente mantida aberta pela campanha, embora a legenda também tenha sinalizado preferência pela neutralidade.
A presidente da sigla, Renata Abreu, passou a ser sondada como uma possível alternativa para a vice após o fracasso da articulação em torno de Tereza.
A sucessão de negativas aumentou dentro do PL a possibilidade de Flávio chegar ao fim das convenções sem conseguir atrair outro grande partido para sua coligação.
Nesse cenário, uma chapa pura passou a ser admitida por integrantes da campanha.
O senador Marcos Pontes (PL-SP) ganhou força nos últimos dias entre dirigentes que defendem uma solução interna para a vice.
Outros nomes femininos do próprio PL também passaram a circular, entre eles as deputadas Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), além de Priscila Costa e Sonaira Fernandes.
Após investidas de Flávio, Republicanos chega à convenção com maioria contra aliança e deve declarar neutralidade
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