A investigação sobre o espancamento que matou o ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, expôs uma rede informal de homens que atuavam como “seguranças de rua” no bairro.
Em depoimentos à Polícia Civil, dois dos acusados do crime revelaram ter sido contratados por um homem responsável por recrutar vigilantes para trabalhar na região.
Essa estrutura será investigada pela polícia.
Para o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), a atividade desempenhada pelo grupo era clandestina.
Segundo ele, a legislação que regulamenta a segurança privada não prevê a atuação de seguranças privados nas ruas.
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— O termo mais correto é uma segurança clandestina.
Existe uma lei federal, o Estatuto da Segurança Privada, e qualquer tipo de serviço fora desse regulamento é considerado uma segurança clandestina — disse Lages.
Quatro pessoas estão presas pela morte do ciclista, espancado após ser confundido com um ladrão de bicicleta — o veículo era da irmã dele.
As prisões foram mantidas pela Justiça no fim de semana.
O segurança Davi Santos Machado, o outro vigilante Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Ailton José da Silva e Felipe Eduardo dos Santos Silva serão indiciados por homicídio triplamente qualificado — por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.
A investigação busca identificar um quinto acusado.
Só da porta para dentro
O delegado também ressaltou que, no caso investigado, a atuação dos seguranças ocorreu em espaço público.
Cláudio Rafael foi abordado em uma calçada na Rua Barata Ribeiro e depois agredido na Rua Felipe de Oliveira.
— A vítima foi abordada na calçada, na via pública — afirmou Lages.
— Ninguém além do Estado pode prestar esse serviço.
A segurança privada é só intramuros, ou dentro do condomínio, ou dentro da residência, ou da porta do comércio para dentro.
Então segurança de rua não existe.
Em seu segundo depoimento, Davi Machado disse que trabalhava numa lanchonete na Rua Barata Ribeiro.
Segundo ele, eram cinco seguranças na rua, todos contratados pelo mesmo homem.
Contou à polícia que telefonou para essa pessoa para informar o que estava acontecendo com a bicicleta de Cláudio Rafael e recebeu a orientação de fotografar o veículo.
Davi também declarou participar de um grupo de WhatsApp chamado “Segurança Ativada”.
No mesmo depoimento, mencionou outro grupo, o “Segurança da Orla”, usado “apenas para serviços extras”, que seriam contratados por um policial militar.
O acusado, no entanto, não detalha se o PM era administrador do grupo nem se ele participava diretamente da contratação dos seguranças.
Já Jorge Luiz Dias, outro investigado no caso, afirmou ter sido contratado para fazer a segurança de estabelecimentos na Rua Duvivier.
Uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, revelou ontem que Cláudio Rafael levou 63 pauladas, de acordo com laudo da perícia.
Imagens obtidas pelo programa mostram o passo a passo da barbárie, desde o momento em que a vítima saiu de casa, em Botafogo, até ser espancada em uma calçada em Copacabana.
Pelo menos sete pessoas teriam se mobilizado na perseguição.
O funcionário de uma loja contou que, pouco antes de ser abordado por Davi Machado, o ciclista lhe pediu um cigarro:
— Ele tinha entrado (na loja) pra pedir um cigarro varejo, se eu poderia dar um cigarro varejo pra ele.
Aí eu falei que não tinha como, só pagando.
Aí ele desistiu e foi lá para fora.
Uma das imagens mostra o segurança Jorge Luiz com a bicicleta da irmã de Cláudio Rafael na Avenida Atlântica, pouco depois de tomar o veículo da vítima na Rua Barata Ribeiro.
No cruzamento de vídeos, a reportagem conseguiu mostrar ainda que Jorge Luiz acompanhou de perto ao espancamento.
Irmã de Cláudio Rafael, Fabiana Motta Landeiro disse que não deixará esse caso cair no esquecimento:
— Por mais que eles já estejam presos, tem que dar continuidade a todo o processo.
Eu não vou parar, não vou desistir.
Ele era muito protetor comigo, ainda mais por ser sua irmã mais nova, mulher.
Uma pessoa muito tranquila, muito doce.
É.., falava com todo mundo, sempre alegre.
Após linchamento e morte de Cláudio Rafael, o serviço de segurança de rua em Copacabana será investigado
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