O ex-presidente da Bolívia Evo Morales afirmou nesta quinta-feira que nova ordem de prisão apresentada pelo Ministério Público do país, por suposto envolvimento com terrorismo e outros delitos, atende a uma “instrução” dos EUA.
Morales nega as acusações de envolvimento nos protestos que resultaram em bloqueios que asfixiaram a Bolívia por mais de 50 dias entre maio e junho.
As manifestações exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o mandato em novembro passado, encerrando ciclo de 20 anos de governos de esquerda no país.
“De que terrorismo falam? O que é terrorismo para o Ministério Público? Isso obedece a instrução dos Estados Unidos”, disse Evo Morales em seu programa de rádio em Chapare, no centro da Bolívia, onde se refugiou desde outubro de 2024, quando escapou de uma primeira ordem de prisão.
Segundo Morales, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, teria dito, duas semanas atrás, que “perseguirá grupos de esquerda como terroristas”.
A referência de Morales é à reunião promovida por Rubio em Washington, com lideranças de mais de 60 países, em que se discutiu meios para combater o que o secretário chama de violência política de esquerda.
Morales, que emergiu na política como líder sindicalista, manteve em seu governo forte tensão com os EUA e, em 2008, expulsou o embaixador americano em La Paz por supostos atos de espionagem.
