Após reaproximação, Flávio tenta levar Michelle a palanques no Rio, SP e BH em meio a limitações de agenda - QTU Questões do Universo

Após reaproximação, Flávio tenta levar Michelle a palanques no Rio, SP e BH em meio a limitações de agenda

Fonte: Bandeira da fonte

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) negocia uma ampliação da participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na corrida presidencial e tenta viabilizar a presença da madrasta no senador em alguns dos principais palanques fora de Brasília.
O desenho discutido internamente com Michelle prevê poucas viagens, concentradas em compromissos considerados estratégicos, para que ela consiga conciliar a campanha nacional com a própria disputa pelo Senado no Distrito Federal e a rotina ao lado de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte estão entre os destinos considerados prioritários.
A ideia não é transformar Michelle em uma presença permanente na agenda nacional de Flávio.
A cúpula do PL trabalha com deslocamentos curtos, uma espécie de “tiros” de campanha, para que ela participe de atos selecionados e retorne a Brasília.
O formato ainda está em negociação, e não há viagens fechadas.
A intenção é escolher eventos nos quais a presença da ex-primeira-dama possa ajudar a mobilizar a base bolsonarista e reforçar a imagem de unidade em torno da candidatura presidencial.
A discussão representa um avanço em relação ao papel que Michelle vinha reservando para si desde a reconciliação com o enteado.
Até agora, ela havia indicado que ajudaria Flávio, mas mantinha a participação presencial praticamente restrita ao Distrito Federal.
Nesta semana, afirmou que pretende dividir o palanque com o candidato caso ele faça um evento em Brasília.
O passo seguinte, desejado pelo partido e pelo entorno do senador, é conseguir encaixar algumas viagens em sua rotina.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tornou pública nesta quinta-feira a pressão para que Michelle participe dos principais atos de Flávio.
Ao comentar as limitações impostas pela prisão domiciliar de Bolsonaro, afirmou à CNN que o partido precisa encontrar uma solução que permita à ex-primeira-dama deixar Brasília para fazer campanha.
— Temos que conseguir a autorização do Poder Judiciário para que ela seja substituída, porque ela precisa participar da campanha, fazer a campanha dela para o Senado e precisa estar presente nos principais comícios do Flávio Bolsonaro — disse.
Essa autorização, porém, não poderá ser pedida de forma genérica para toda a campanha.
A cada viagem que Michelle decidir fazer, será necessário apresentar previamente um pedido específico para que outra pessoa fique responsável por Bolsonaro durante sua ausência.
Como ainda não há deslocamentos fechados, também não há previsão para que essas solicitações sejam apresentadas.
A exigência é mais um fator levado em conta na montagem de uma agenda enxuta para a ex-primeira-dama fora de Brasília.
A referência é à rotina que Michelle assumiu desde que Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar.
A ex-primeira-dama tem relatado que distribui seus compromissos eleitorais entre os cuidados com o marido e as tarefas de casa.
Na terça-feira, durante uma agenda de campanha em Brasília, afirmou que precisa organizar até horários de medicação e almoço antes de sair para eventos.
— É um pouco difícil, né, fazer campanha com meu marido preso.
Estou correndo agora para fazer a medicação, fazer o almoço dele e, à tarde, conseguir fazer mais algumas agendas.
A gente está tentando conciliar com as demandas de casa — afirmou.
É essa limitação que levou o PL a descartar, por ora, uma agenda extensa de Michelle pelo país.
A avaliação é que seria difícil conciliá-la tanto com Bolsonaro quanto com a própria campanha ao Senado.
A alternativa em discussão é concentrar seus deslocamentos em poucas capitais consideradas importantes para Flávio e deslocamentos de avião que duram cerca de uma hora.
Rio, São Paulo e Belo Horizonte aparecem nessa conta também pelo peso que os três estados têm na estratégia presidencial.
A campanha de Flávio tem dedicado atenção especial ao Sudeste e busca reforçar seus palanques na região.
Em Minas, o senador já fez sua primeira agenda ao lado de Nikolas Ferreira nesta semana.
Em São Paulo, conta com aliados como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O Rio, além de ser o reduto eleitoral de Flávio e de sua família, foi escolhido para a largada oficial de sua campanha.
A ausência de Michelle justamente nessa estreia pesou na avaliação feita por integrantes do PL depois do ato em Copacabana.
Flávio reuniu cerca de nove mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em um evento que provocou críticas internas pela imagem de esvaziamento.
Além da ex-primeira-dama, não participaram nomes com forte capacidade de mobilização da base, como Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia.
Jair Bolsonaro, principal polo de atração dos atos bolsonaristas, está impedido de participar por causa da prisão domiciliar.
Da crise ao palanque
A participação mais ativa da ex-primeira-dama, porém, só começou a ser discutida depois de uma sequência de gestos de reaproximação entre ela e Flávio.
Os dois atravessaram semanas de tensão durante a pré-campanha, com divergências sobre decisões partidárias e sobre o papel de Michelle na eleição.
O conflito chegou ao auge quando a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado.
Flávio publicou posteriormente um vídeo pedindo desculpas à madrasta, e Michelle respondeu que o perdoava.
Jair Bolsonaro também atuou para aproximar os dois.
Na semana passada, a ex-primeira-dama participou de uma gravação organizada pela campanha presidencial.
Antes de aparecerem diante das câmeras, Michelle e Flávio conversaram e oraram juntos reservadamente.
Desde então, os gestos públicos se intensificaram.
No primeiro dia oficial da campanha, enquanto Flávio fazia sua estreia em Copacabana, Michelle lançou sua candidatura ao Senado em Ceilândia e pediu votos para o enteado.
Na terça-feira, voltou a defender a candidatura presidencial durante uma agenda no Distrito Federal e confirmou que pretende participar de um eventual ato de Flávio em Brasília.
No dia seguinte, publicou em seu próprio perfil pela primeira vez desde a crise um vídeo de campanha ao lado do enteado, acompanhado do jingle do presidenciável e da mensagem “vamos juntos resgatar o Brasil”.
A sequência foi interpretada pelo entorno de Flávio como sinal de que a fase mais aguda da crise ficou para trás.