O luxo é um dos segmentos mais visados pelos falsificadores por conta do alto valor das peças. Em julho, agentes da alfândega americana interceptaram no porto de Louisville, no Kentucky, uma encomenda enviada de Hong Kong com 300 relógios falsos da grife suíça Audemars Piguet. Se fossem verdadeiras, as peças custariam mais de US$ 43 milhões, segundo a autoridade alfandegária dos EUA (CBP, na sigla em inglês). Esta foi uma das três apreensões no mesmo porto entre junho e julho e que somaram 875 imitações de relógios da marca. Muitos consumidores compram e incentivam esse mercado, mesmo sabendo que peças que valem milhares de dólares não podem ser autênticas quando são oferecidas em sites aleatórios por preços muito mais baixos, ressalta Morgane Gaudiau, economista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os países ricos da Europa são particularmente visados pelos falsificadores de artigos de luxo. No início do ano, a alfândega alemã identificou em um container procedente da China mais de 500 pares de sapatos e 240 bolsas falsas de grifes, além de 21 mil cópias de frascos de perfumes, com valor estimado em € 1 milhão. Há operações em grande escala na Europa contra a falsificação de artigos de luxo, sobretudo de moda. A Agência Europeia de Luta Antifraude (Olaf, na sigla em inglês) iniciou em 2024 uma investigação, ainda em andamento, que apreendeu em vários países do bloco mais de 1,8 milhão de roupas e acessórios falsos de grifes famosas, com valor estimado em mais de € 180 milhões. Em outra ação, a Olaf identificou o uso significativo das redes sociais para promover as imitações. A Louis Vuitton é a mais visada pelos falsificadores, revela um relatório da Entrupy, empresa americana de tecnologia especializada em autenticação de peças de luxo utilizando IA e que tem como clientes revendedores de grifes, varejistas e marketplaces on-line. A marca francesa famosa por seu monograma representou sozinha um terço de todos os pedidos de verificação de autenticidade enviados à Entrupy em 2025. Desse total, pouco mais de 8% eram falsos. Já os itens da Chanel chegaram a quase 6%, diz o estudo publicado em 2026. Grandes marcas - que têm mais meios para lançar investigações e ações na Justiça - afirmam atuar contra fabricantes e revendedores ilegais e trabalhar junto a autoridades alfandegárias, além de monitorar marketplaces e redes sociais. Em um relatório que inclui dados sobre propriedade industrial, a italiana Prada informa que suas ações globais de combate à falsificação resultaram em 2024 em mais de 1,1 milhão de artigos falsos apreendidos e cerca de 150 mil anúncios removidos de marketplaces, além de 150 mil publicações retiradas de redes sociais. A LVMH informa em documentos corporativos que a proteção da propriedade intelectual é uma prioridade e que mantém um departamento antifalsificação para proteger suas marcas, como Louis Vuitton e Dior, com ações administrativas e judiciais para identificar e rastrear falsificações no mercado físico e na internet. Além de medidas como essas e processos judiciais em vários países, a Chanel informa, em sua página na internet intitulada “luta contra a falsificação”, que participa de campanhas para informar os consumidores sobre os perigos ligados à falsificação, como riscos sanitários, de trabalho infantil e financiamento de atividades como venda de armas e drogas. Procurada pela reportagem, a relojaria suíça Audemars Piguet não comentou o problema da falsificação de seus produtos.
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Artigo de luxo é um dos alvos preferidos dos falsificadores
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