Atletas do tiro esportivo cobram agilidade da PF do Pará na regularização de documentos - QTU Questões do Universo

Atletas do tiro esportivo cobram agilidade da PF do Pará na regularização de documentos

Fonte: Bandeira da fonte

Na tentativa de buscar soluções para a demora na regularização de processos relacionados ao tiro esportivo no Pará, atletas, dirigentes de federações, representantes de clubes, lojistas, despachantes e integrantes de entidades ligadas aos colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) participaram, na segunda-feira (3), de uma reunião na Superintendência Regional da Polícia Federal, no bairro do Souza, em Belém.
O encontro reuniu representantes da Federação Paraense de Tiro Esportivo (Fepate), da Federação Paraense de Tiro Prático (FTPP), demais partes envolvidas, além da delegada Milena Barros, titular da Delegacia de Controle de Armas e Produtos Químicos (DELEAQ), responsável pelo setor.

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Durante a reunião, os participantes cobraram mais agilidade na emissão de documentos necessários para a prática do tiro esportivo.
Segundo eles, há cerca de três anos a categoria enfrenta dificuldades para obter autorizações e registros, o que tem impedido atletas paraenses de disputar competições nacionais e afetado clubes e empresas do setor.
De acordo com os representantes, a situação se agravou após a transferência das atribuições relacionadas aos CACs do Exército Brasileiro para a Polícia Federal, em agosto de 2025.

Cobrança por mais agilidade

Presidente da Fepate, Tiago Pavie afirmou que a categoria reconhece o empenho dos servidores da PF, mas avalia que a estrutura disponível ainda não acompanha a demanda recebida pelo órgão.

"O sistema da Polícia Federal ainda não estava pronto para receber todas essas atribuições.
Houve uma transferência muito grande de responsabilidades e hoje existem diversas etapas que dependem de sistemas que ainda apresentam falhas.
A gente percebe que existe boa vontade dos servidores, mas também é notório que falta efetivo e estrutura para atender toda essa demanda", acrescentou.

Tiago Pavie, presidente da Fepate (Igor Mota / O Liberal)

Segundo ele, o objetivo da reunião não foi atribuir responsabilidades aos servidores locais, mas discutir alternativas para reduzir o impacto da sobrecarga enfrentada pela equipe.

"O trabalho realizado pelos servidores é extremamente criterioso.
Eles analisam documentos, antecedentes e uma série de informações antes de autorizar qualquer procedimento.
É uma responsabilidade muito grande.
O que defendemos é que eles recebam mais apoio, mais efetivo e reconhecimento para que consigam trabalhar sem pressão", declarou.

Pavie ressaltou que as dificuldades operacionais acabam refletindo diretamente na rotina dos atletas.
"Hoje um atleta pode deixar de disputar uma final de Campeonato Brasileiro simplesmente porque não conseguiu receber uma autorização dentro do prazo.
Isso significa deixar o Pará sem representantes em competições importantes, mesmo tendo atletas plenamente preparados para conquistar resultados”, complementou.

O presidente acrescentou que outro problema enfrentado pelo setor é a demora na liberação de novos registros e de materiais recém-adquiridos.
"Existem soluções sendo construídas e a Polícia Federal tem buscado entender todas essas particularidades, porque são atribuições novas para o órgão.
Mas ainda é preciso um reforço vindo de Brasília para que esse trabalho avance na velocidade que a demanda exige”, disse. 

Encaminhamentos da reunião

Vice-presidente da Fepate e atleta, Marcelo Nunes complementa que a principal reivindicação da categoria é garantir condições para que o esporte seja praticado normalmente.
"Nossa necessidade é simplesmente ter a documentação necessária para comprar equipamentos, fazer transferências, viajar e competir.
São procedimentos básicos para manter o esporte funcionando”, acrescentou. 

Marcelo Nunes, vice-presidente ds Fepade (Igor Mota / O Liberal)

As entidades irão enviar um ofício à direção nacional da PF, em Brasília, solicitando esclarecimentos sobre os processos em atraso, reforço no efetivo, reconhecimento do trabalho dos servidores e mudanças nas atribuições para ampliar a atuação dos analistas na análise e investigação dos processos.

Reflexos para clubes e empresas

Assessor jurídico do Clube de Tiro Bala de Prata, Mário Freitas afirmou que os impactos vão além dos atletas.
"Pouca gente sabe, mas esse segmento reúne milhares de pessoas no Pará e movimenta empregos, renda, clubes, lojas e serviços.
Quando essas autorizações deixam de ser emitidas, toda essa cadeia econômica é afetada”, explicou. 

Assessor jurídico do Bala de Prata, Mário Freitas (Igor Mota / O Liberal)

De acordo com ele, os participantes da reunião reconheceram o esforço dos servidores da Polícia Federal, mas defenderam investimentos estruturais para o setor.

"A boa vontade existe, mas não substitui a estrutura.
O órgão responsável por conceder as autorizações precisa receber condições para desempenhar essa função.
É isso que buscamos chamar atenção durante a reunião”, disse. 

Representante da Associação Pró Armas Pará, Kleiton Oliveira reforça que o encontro também buscou reforçar o reconhecimento do tiro esportivo como modalidade esportiva.
"Viemos defender o nosso esporte e pedir que os direitos dos praticantes sejam respeitados.
Nosso objetivo é que essa atividade continue crescendo e possa ser praticada pelas próximas gerações”, afirmou.