'Aulão' de drone do CV adiado por vento: polícia investiga treinamento para uso de explosivos em ataques entre facções

Fonte: Bandeira da fonte

A Polícia Civil investiga um suposto treinamento promovido por traficantes do Comando Vermelho (CV) para ensinar o uso de drones em ações de guerra entre facções no Rio.
O chamado "aulão", que seria realizado em 17 de julho no Complexo da Penha, acabou cancelado por causa dos ventos fortes, mas integra uma apuração sobre o avanço do uso dessas aeronaves para monitoramento e lançamento de explosivos em áreas dominadas pelo tráfico.
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O episódio ocorre em meio à escalada do uso de drones nos confrontos entre organizações criminosas.
Desde março, foram registrados ao menos sete casos de explosivos lançados por aeronaves não tripuladas no estado, seja durante ataques a territórios rivais, seja em supostos treinamentos de criminosos.
Segundo a investigação, o treinamento foi divulgado em uma postagem nas redes sociais por uma pessoa ligada a um traficante da região.
Imagens obtidas pela Polícia Civil mostram homens armados com fuzis caminhando em direção ao suposto local onde ocorreria a aula.
À frente do grupo, uma mulher carregando uma criança abre caminho para a passagem dos suspeitos.
Em outro registro, oito fuzis aparecem encostados em uma parede.
O encontro, porém, não aconteceu porque as condições meteorológicas impediram o voo dos drones.
O Complexo da Penha é comandado pelo traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, apontado pela polícia como integrante da cúpula do Comando Vermelho e responsável por ordenar ataques contra áreas controladas por facções rivais.
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De acordo com um policial que atua nas investigações, os equipamentos empregados pelos criminosos não servem apenas para transportar explosivos.
— Eles usam os drones para fazer monitoramento.
O equipamento funciona como se fosse um radar.
Ele é capaz de informar se há outro drone na área e de onde a aeronave está sendo operada — afirmou.
O uso dessa tecnologia ganhou destaque no último sábado, quando duas pessoas que montavam brinquedos para uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba ser lançada por um drone na Favela dos Dourados, em Cordovil, na Zona Norte.
A comunidade, dominada pelo CV, vem sendo alvo de ataques do Terceiro Comando Puro (TCP), facção ligada ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, que controla favelas vizinhas na região conhecida como Complexo de Israel.
Outros episódios semelhantes vêm sendo registrados nos últimos meses.
Em 29 de maio, um adolescente de 15 anos sofreu uma fratura exposta na perna após uma granada ser lançada por um drone no Morro da Caixa D'Água, na Penha.
Em 30 de março, um explosivo atingiu um imóvel na Vila do Sapê, em Curicica, durante um ataque do CV contra uma área dominada pela milícia.
Também houve registros de um artefato que atingiu um prédio no Parque Dois Irmãos, em Curicica, e de uma granada encontrada intacta sobre uma creche na Favela do Dique, no Jardim América.
Neste último caso, o explosivo precisou ser detonado pelo Esquadrão Antibombas.
Moradores de áreas afetadas relatam viver sob constante temor.
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— Parece que estamos num campo de guerra.
Vivemos traumatizados com bombas que são lançadas por drones sobre as nossas casas — afirmou um morador de Curicica, que pediu para não ser identificado por questões de segurança.
Em março, a Polícia Civil anunciou a aquisição de drones de seis modelos diferentes, incluindo equipamentos com sensores térmicos e capacidade para operações noturnas, além da criação da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), responsável por apoiar operações e ações de inteligência.
Os equipamentos fazem parte de um pacote de inovação tecnológica que, nos últimos dois anos, consumiu R$ 2,1 milhões.
Em nota, a Polícia Militar informou que ainda não possui um levantamento estatístico específico sobre ocorrências envolvendo lançamento de granadas por drones, mas reconheceu que o emprego desses equipamentos representa uma evolução das táticas das organizações criminosas.
Já a Polícia Civil afirmou que monitora continuamente o uso de tecnologias pelas facções e realiza diligências para mapear a utilização de drones por criminosos.