Aumento da idade mínima, BPC menor, capitalização: as mudanças propostas por especialistas em Previdência - QTU Questões do Universo

Aumento da idade mínima, BPC menor, capitalização: as mudanças propostas por especialistas em Previdência

Fonte: Bandeira da fonte

Aumentar idade mínima da aposentadoria para 67 anos, igualando para homens e mulheres, implantar um sistema de capitalização no qual metade das contribuições vai para uma conta individual do trabalhador num fundo de previdência, elevar a contribuição para microempreendedor individual (MEI) e reduzir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) a 60% do salário mínimo, aumentando o valor conforme os anos de contribuição são algumas das propostas de um grupo de especialistas para reformar a Previdência Social.
Fim da escala 6x1: senador apresenta relatório e mantém texto da Câmara para acelerar tramitação
Contas públicas: Ministro do Planejamento calcula economia de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 com ‘gatilhos’ para conter despesas
Após sete anos da última reforma, implantada em 2019, especialistas no tema prepararam, durante dez meses, uma nova mudança no sistema de aposentadoria social do Brasil.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, Paulo Tafner, que foi coordenador técnico do estudo, a reforma de 2019 foi incompleta e, com as informações do Censo de 2022, constatou-se que o envelhecimento populacional está acontecendo mais rapidamente do que se esperava e com uma taxa de fecundidade menor:
— Houve uma aceleração do gasto.
Sem uma nova reforma, vai ficar mais difícil manter o equilíbrio fiscal, o controle da despesa previdenciária, o maior gasto da União.
Alta do gasto
Segundo cálculos presentes na proposta, a despesa já alcança 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e pode chegar a 17,4% do PIB se não for feita uma reforma brevemente, o que permitiria que o gasto ficasse em torno de 10% a partir de 2060.
No estudo desenvolvido pelos economistas Bernardo Schettini, Leonardo Rolim, Rogério Nagamine, Sergio Guimarães Ferreira e Tafner, há a previsão de uma mudança estrutural, além das alterações de parâmetros, como a idade mínima.
Nesse capítulo entra a capitalização, que já era prevista na última reforma, mas não foi regulamentada.
Recuo: Governo afirma que fila do INSS caiu 59% em agosto e atingiu menor patamar desde 2023
A ideia é manter 50% das contribuições no sistema atual e os outros 50% numa conta individual.
— Lá na frente, o trabalhador vai receber uma parte nas regras atuais e o restante dessa conta individual.
Ele deixa de saber quanto vai receber.
Nós estamos mudando o benefício definido por contribuição definida — diz Tafner.
Contribuição patronal cai
O custo de transição para o sistema de capitalização, já que parte dos recursos vai direto para a conta do trabalhador, é reduzido no início, mas alcança 2,2% do PIB em 2070.
O custo seria coberto por revisão de renúncias fiscais, royalties e focalização do abono salarial.
A proposta também reduz a contribuição patronal para 16%, limitada ao teto de contribuição da Previdência, enquanto hoje incide sobre o total da folha de pagamento.
Eles explicam que isso reduziria a pejotização, a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas, o que tira recursos da Previdência.
Veja os detalhes da iniciativa
Idade mínima para aposentadoria: pela proposta, sobe para 67 anos, igualando-se para homens e mulheres e para os benefícios urbano e rural.
Atualmente, os homens podem se aposentar aos 65 anos e as mulheres, aos 62, com a contagem de um ano e meio de tempo de contribuição por cada filho.
No setor rural, é de 60 anos para os homens e de 55 anos para as mulheres.
Expectativa de vida: à medida que a esperança de vida ao nascer aumenta, eleva-se a idade mínima.
A cada seis meses a mais de longevidade, a idade para se aposentar sobe quatro meses.
Mudança no Benefício de Prestação Continuada (BPC): a transferência seria de 60% do salário mínimo (hoje equivalente a um piso completo), subindo dois pontos percentuais a cada ano de contribuição.
O benefício só seria de um salário mínimo com 20 anos de contribuição.
Contribuição do empregador: ela cai para 16% e vai incidir somente sobre o valor da folha, considerando o teto da aposentadoria do setor privado.
Hoje, a contribuição é de 20% sobre o total da folha.
Seguro: as empresas precisarão contratar um seguro para cobrir auxílio-doença, acidente de trabalho, aposentadoria por incapacidade permanente e pensão por morte não acidentária.
O seguro pode ser contratado com o próprio INSS, que terá a concorrência de outros atores do mercado.
Contribuição do MEI: ela sobe dos atuais 5% para 11%, exceto para quem recebe o Bolsa Família.
Capitalização: a reforma prevê que metade das contribuições, juntamente com 50% dos repasses para o FGTS, irá para contas individuais administradas por fundos de pensão, que investirão os recursos até o momento da aposentadoria.