O Brasil registrou uma expansão de 39% nos aportes públicos direcionados à cultura e à preservação patrimonial de 2021 a 2024, segundo levantamento do programa ‘Culture 2026’, conduzido pelo Instituto de Estatística da Unesco (UIS).
O índice projeta o país entre as nações com maior taxa de crescimento no setor, evidenciando a consolidação das diretrizes culturais enquanto instrumentos estratégicos para a promoção do desenvolvimento socioeconômico e salvaguarda da identidade cultural.
O resultado, para além de um indicador orçamentário, acompanha uma transformação na forma como a cultura vem sendo compreendida mundialmente.
Ao lado de setores como inovação, sustentabilidade e economia criativa, a cultura passa a ocupar papel cada vez mais estratégico na geração de renda e na construção de soluções para desafios sociais e ambientais, ampliando o impacto além da produção artística.
De acordo com a fundadora e presidente do Instituto Reinventando Futuros, Liu Berman, o crescimento dos investimentos confirma uma mudança importante na percepção sobre o papel da cultura no desenvolvimento dos países.
O instituto desenvolve projetos conectando cultura, sustentabilidade, economia circular e inovação social.
"Quando a cultura passa a dialogar com sustentabilidade, economia circular e impacto social, ela cria soluções que permanecem nos territórios e geram benefícios duradouros.
Não estamos falando apenas de financiamento para eventos culturais, mas da construção de ecossistemas capazes de transformar realidades por meio da criatividade e da colaboração", afirma Liu.
Reforço
Os dados da Unesco reforçam esse cenário ao mostrar que o investimento contínuo em cultura e preservação do patrimônio amplia a capacidade dos países de proteger sua memória, estimular cadeias produtivas ligadas à economia criativa e promover desenvolvimento sustentável.
A valorização dos bens culturais também fortalece o turismo, incentiva a inovação e amplia oportunidades para trabalhadores, empreendedores e organizações que atuam no setor.
"A cultura deixou de ocupar um espaço periférico nas estratégias de desenvolvimento.
Hoje, ela é reconhecida como um ativo capaz de movimentar economias, fortalecer comunidades, estimular inovação e contribuir diretamente para a construção de um futuro mais sustentável.
Ver esse crescimento nos investimentos significa reconhecer que políticas culturais também são políticas de desenvolvimento", destaca Liu.
Essa visão tem orientado a atuação do Instituto Reinventando Futuros.
A organização desenvolve iniciativas que aproximam diferentes setores em torno de modelos econômicos regenerativos, articulando redes de inovação e desenvolvimento territorial por meio de projetos como o Maré de Mudanças, o Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC) e o Fórum Nacional de Economia Popular e Solidária, ampliando conexões entre poder público, empresas, universidades, organizações sociais e comunidades em diferentes regiões do país.
"Os números apresentados pela Unesco mostram que investir em cultura é investir na capacidade das pessoas de criar, empreender, preservar suas identidades e construir soluções coletivas.
Quanto mais compreendermos a cultura como infraestrutura para o desenvolvimento, maiores serão os impactos econômicos, sociais e ambientais que conseguiremos gerar para as próximas gerações", conclui Liu Berman.
