Avanços em terapia celular e algoritmos que ajudam o SUS estão entre as inovações do Einstein - QTU Questões do Universo

Avanços em terapia celular e algoritmos que ajudam o SUS estão entre as inovações do Einstein

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Einstein Hospital Israelita: avanços em novas terapias
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Para perseguir o propósito de proporcionar vidas mais saudáveis a um número cada vez maior de pessoas, o Einstein Hospital Israelita incorporou a inovação não apenas à sua atividade principal de saúde, mas também às áreas de pesquisa e de ensino.
Fez isso de forma estruturada, com um time de quase 400 profissionais, três centros de inovação — em São Paulo, Goiânia e Manaus —, e injetando investimentos que ficam em torno de 5% das receitas.
A instituição também conta com recursos de agências de fomento.
No primeiro trimestre deste ano, foi credenciada como Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) na área de saúde digital e, com isso, receberá investimentos por um período de cinco anos para o desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial e análise avançada de dados clínicos, e também para a criação de plataformas digitais para suporte à decisão médica e ao cuidado.
As parcerias estratégicas incluem projetos com a Fundação Gates e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“Procuramos parceiros para entregar saúde; se for necessário, vamos desenvolver uma inovação para lidar com problemas considerados insolúveis”, diz Sidney Klajner, presidente do Einstein Hospital Israelita.
Com o BID, a instituição lançou, na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a plataforma Mais (Meio Ambiente e Impacto na Saúde), que cruza dados climáticos, ambientais, de saúde e socioeconômicos de mais de 5.500 municípios, para ajudar governos e profissionais a prever como ondas de calor, chuvas e poluição podem aumentar o número de doenças ou internações.
No início deste ano, o Einstein anunciou a criação de centros colaborativos de inovação (CCIs), voltados à parceria estruturada e de longo prazo com a indústria para o desenvolvimento de novas tecnologias em saúde e soluções para seu uso em larga escala.
Os CCIs são resultado de uma década de atuaçao do Einstein com alianças nacionais e internacionais.
A meta dos CCIs é criar propostas que atendam às particularidades do Brasil.
“Em vez de importar uma solução, que provavelmente vai atender a sistemas de saúde que não são os nossos, desenvolvemos nossos próprios modelos de inovação, sejam eles aparelhos, protocolos ou equipamentos de diagnóstico e de tratamento”, diz o presidente.
Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein: em vez de importar soluções, desevolvemos nossos próprios modelos de inovação
Egberto Nogueira / Divulgação
A expectativa é que, até o fim deste ano, seis empresas multinacionais estejam com CCIs em desenvolvimento nas áreas de equipamentos médicos, digital e indústria farmacêutica.
A Philips estreou a lista, integrando o primeiro CCI, em uma aliança com duração inicial de cinco anos.
O primeiro projeto é voltado à saúde da mulher: a proposta prevê o desenvolvimento de uma solução de IA para apoiar a utilização de dispositivo intrauterino no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Seria um dispositivo de diagnóstico automático capaz de avaliar se o dispositivo foi colocado adequadamente, sem a necessidade de usar ultrassom”, afirma Klajner.
Terapia celular
O Einstein também tem se destacado na área de terapia celular, com o desenvolvimento de vetores e protocolos de CAR-T Cell.
A ideia é utilizar células do sistema imunológico do paciente para combater doenças onco-hematológicas, principalmente aquelas que não respondem a tratamentos convencionais.
Trata-se de um desenvolvimento de longo prazo.
“Você precisa de uma estrutura física, da capacidade de produzir a terapia aqui, e da geração de patentes para essas tecnologias”, diz o presidente.
Em 2022, a Anvisa aprovou a realização do primeiro ensaio clínico realizado pelo Einstein Hospital Israelita, com financiamento do SUS.
“Somos a primeira organização do Brasil autorizada pela Anvisa a fazer esses ensaios clínicos", afirma.
No ano passado, o Einstein levou os resultados preliminares ao American Society of Hematology, principal congresso americano de onco-hematologia.
"Dos 11 pacientes com leucemia e linfomas de células B que eram refratários a outras formas de tratamento, 81% tiveram alguma resposta e 72% tiveram remissão completa da sua doença”, afirma Klajner.
Com a expertise adquirida, o Einstein passou a pesquisar outras formas de terapia celular, como a NK-cell, terapia avançada para doenças não-oncológicas.
"Existem alguns pacientes que vão se beneficiar dessa terapia celular, principalmente aqueles com doenças crônicas e degenerativas”, diz o presidente.
Na área de inteligência artificial, os avanços do Einstein são possíveis graças a investimentos feitos em 2015, quando organizou seus dados e estabeleceu um setor para cuidar de big data e governança.
Sem isso, diz o presidente, a instituição não teria a atual capacidade de desenvolver algoritmos.

Hoje, são 130 algoritmos de inteligência aumentada em atividade.
“Falo em inteligência aumentada porque se trata de uma ferramenta para melhorar a inteligência dos profissionais, principalmente os de saúde”, diz Klajner cita a própria experiência: “Como médico cirurgião, atuo no setor de oncologia no consultório.
No dia a dia, a solução de IA fornece suporte à decisão, agilidade para não precisar anotar o conteúdo de uma consulta e acesso rápido ao prontuário do paciente”.