A Avibras, empresa do segmento de defesa, fechou, nesta sexta-feira (21), a assinatura de uma acordo para a venda da totalidade do seu negócio para a Globe Investimentos S.A, empresa do grupo J&F.
O negócio foi comunicado a funcionários por meio de um e-mail corporativo ao qual o Valor teve acesso.
Ainda não há informações sobre o valor do negócio.
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Segundo fontes, a entrada da J&F no negócio já era esperada.
Isso porque o empresário Joesley Batista ajudou a Brasil Crédito, principal credora da empresa, a levantar cerca de R$ 300 milhões, recurso fundamental para a retomada dos negócios.
Na época da captação, fontes destacaram que Batista havia entrado apenas como um credor e o recurso não representaria uma participação no capital da Avibras como acionista.
Pessoas próximas destacaram na época, entretanto, que a proximidade do executivo com a empresa de defesa deixava uma porta aberta para que um investimento viesse a acontecer — o que de fato se materializou.
Após quatro anos com atividades suspensas, a Avibras retomou sua operação no fim de abril.
A empresa entrou em recuperação judicial em 2022 e tem atualmente uma dívida na casa de R$ 800 milhões.
Os cerca de 900 funcionários estavam em greve desde setembro de 2022.
Em comunicado enviado aos funcionários, a Avibras disse ter sido informada pela Brasil Crédito, sua principal credora, que uma transação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
“Caso seja aprovada e desde que sejam concluídos os trâmites necessários para o fechamento, a transação resultará na venda da totalidade das ações da Nova AVB S.A, controladora integral da Avibras Aeroco, para a Globe Investimentos S.A, empresa do grupo J&F”, disse a Avibras.
Por trás da Brasil Crédito, estão Raul Ortuzar e Thiago Osório, investidores com histórico em reestruturação de empresas.
Ao Valor, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Gonçalves, disse que o sindicato foi comunicado acerca do negócio nesta sexta-feira pela Brasil Crédito.
Conforme Gonçalves, a alteração de controle nada muda nos acordos já firmados entre a categoria e a empresa.
Os acordos foram homologados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“A gente não escolhe com quem vai negociar”, disse o sindicalista.
“A gente continua defendendo a estatização da Avibras.
Vamos continuar cobrando.
No capital privado é isso, um compra e outro vende.
É um setor muito estratégico”, disse.
Um suporte importante para a retomada da Avibras é um contrato firmado com o Exército do Brasil para o fornecimento de munições e peças.
O Exército já era um antigo cliente antes da crise e, conforme fontes, manteve um pedido junto à Avibras de valor entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões ao ano.
Entre os produtos no portfólio da Avibras, está o Sistema de Artilharia Astros.
A empresa disse ainda que avança com novos desenvolvimentos em fase de certificação, como o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), de 300 quilômetros de alcance, além do lançamento do Míssil Tático Balístico (MTB), com alcance superior a 100 quilômetros.
A J&F e Avibras foram procuradas para comentar, mas não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
