A rodada de julho da Genial/Quaest nos estados mostra que é grande a fatia de eleitores que ainda não têm um candidato a governador já na ponta da língua, às vésperas do início da campanha eleitoral.
A pesquisa espontânea sobre a definição do voto, feita antes dos entrevistados terem acesso à lista de nomes colocados no pleito, mostra que os indecisos variam entre 54% e 88% nos dez estados em que o instituto fez levantamentos.
O quadro ocorre mesmo onde já há candidaturas que despontam como favoritas, que terão agora o desafio de conquistar a convicção do eleitorado.
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No Rio, 84% não apresentam um candidato ao serem questionados, de forma espontânea, se já escolheram em quem vão votar.
Líder no levantamento, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) tem a preferência de 9% dos entrevistados nessa modalidade da pesquisa, embora some 38% das intenções de votos na estimulada, quando uma lista de opções é apresentada.
Já o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, marca 3% — na estimulada, o aliado de Flávio Bolsonaro tem 10% de preferência.
No Paraná, há resultado semelhante.
Enquanto 83% dos eleitores estão indecisos na espontânea, apenas 8% dos entrevistados indicam de cara a intenção de votar no senador Sérgio Moro (PL), que aparece bem à frente dos rivais na estimulada (39%).
Especialistas ouvidos pelo GLOBO relacionam o cenário à ausência de candidaturas rivais conhecidas pela população, o que leva a um posicionamento mais tardio do eleitorado.
Outro fator é a forma como a Quaest formula a pergunta, que contribui para um percentual mais alto de indecisos.
O instituto questiona se o eleitor “já escolheu em quem vai votar” e quem responde “não” é contabilizado como indeciso.
Outros institutos, como o Datafolha, por exemplo, optam por perguntar em “quem o eleitor pretende votar”.
— Enquanto 80% dos institutos usam uma formulação mais aberta na pergunta, a Quaest questiona se o eleitor “já decidiu o voto” e em quem seria.
Esse questionamento afasta aqueles que têm preferências ainda embrionárias — explica o cientista político Antônio Lavareda, do Ipespe.
Intenções de voto para governador
Editoria de Arte
Decisão para depois
O cientista político Marcos Paulo Campos, da Universidade Estadual do Ceará, avalia que no Rio e no Paraná o desconhecimento dos eleitores sobre o apoio de padrinhos — como o de Flávio Bolsonaro a Ruas no Rio, e o de Ratinho Junior a Sandro Alex (PSD) no Paraná — atrasa uma decisão convicta do eleitor.
— Enquanto o eleitor não identifica a disputa, ele não se posiciona.
As posições, em situação assim, ficam restritas a grupos ideológicos — explica.
A maior intenção de voto espontânea está em Pernambuco, onde a governadora Raquel Lyra (PSD) alcança 25%, contra 18% do ex-prefeito do Recife João Campos.
No estado, são 54% os sem candidato nessa modalidade da pesquisa.
Outros governadores eleitos em 2022 também conquistam pontuações mais expressivas mesmo onde há competição mais acirrada.
É o caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que marca na espontânea 17% em São Paulo, contra 7% do ex-prefeito da capital Fernando Haddad (PT) — na estimulada, Tarcísio tem 41% e Haddad, 26%.
— Candidatos à reeleição já têm disposição pública e a população os conhece.
Por outro lado, a campanha ainda não começou.
O desconhecimento dos candidatos é grande — diz a cientista política Carolina Botelho, do INCT/SANI.
Baixo índice de 'votos convictos' desafia favoritos às vésperas da campanha em estados como Rio e Paraná
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