O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (24) que a inclusão financeira, trazida especialmente pelo Pix para famílias de menor renda, foi um movimento essencial e muito importante que já se concretizou.
A partir de agora, o BC foca em uma agenda voltada para a sustentabilidade desse acesso e à saúde financeira do sistema.
O presidente do BC se mostrou preocupado com a busca do crédito e crescimento do endividamento para consumo efêmero.
— O grande desafio atual é garantir que a população faça um uso responsável dos serviços financeiros que agora estão disponíveis.
Isso envolve orientar as pessoas a conhecerem melhor o suitability (a adequação do produto ao seu perfil) e a identificarem a linha de crédito mais adequada para suas necessidades — afirmou.
Ele disse que a equipe do Banco Central está focada no desenho de medidas macroprudenciais, inspiradas em experiências internacionais, para garantir que as instituições financeiras estejam devidamente provisionadas para o risco real que correm ao conceder crédito.
— O objetivo é evitar que instituições cresçam de maneira artificial no mercado assumindo riscos desmedidos sob a premissa de que o prejuízo final não ficará em seus próprios balanços.
O BC pretende assegurar um ambiente competitivo isonômico, coibindo práticas de empresas que tentam obter vantagens comerciais agindo além das melhores regras de governança e de prestação de serviços à população — disse o presidente do BC, garantindo que a instituição quer garantir ainda o aprimoramento constante de medidas voltadas para o combate a fraudes, segurança cibernética e fortalecimento do Fundo Garantidor de Crédito(FGC).
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Essa transição de foco, disse, será conduzida de maneira lenta e gradual, como é tradicional no Banco Central, mas com a velocidade necessária para evitar que o endividamento recorde das famílias continue a se perpetuar.
Galípolo lembrou que o Pix foi o principal responsável pelo um forte processo de inclusão bancária e ampliação do acesso a serviços financeiros no país.
Ele disse que o nível de inclusão, que se mantinha estável nos anos anteriores à ferramenta, passou a crescer de forma acelerada em uma curva paralela à evolução do Pix.
— Esse movimento de inclusão beneficiou, de forma muito expressiva, a população de menor renda.
Três anos após o lançamento da plataforma, 74% dos adultos registrados no Cadastro Único (CadÚnico) já possuíam chave Pix cadastrada e 72% utilizavam efetivamente o sistema — explicou.
Ele disse que como consequência direta da inclusão financeira e do acesso a serviços promovidos após a chegada do Pix, houve uma expansão expressiva no mercado de crédito, com 37 milhões de novos usuários de cartão de crédito.
— Essa expansão trouxe um cenário de alerta para a cidadania financeira, pois dos 96 milhões de usuários de cartão no país, mais da metade (52,8 milhões) carrega dívidas (seja no crédito rotativo ou no parcelamento com juros).
Atualmente, 54% da renda dessas famílias está comprometida com gastos no cartão, sob taxas de juros mensais que chegam a 15,1% — disse o presidente do BC.
Galípolo observou que o endividamento continuou a subir mesmo com o desemprego na mínima histórica e a renda das famílias na máxima histórica.
Segundo dados do Banco Central, a principal preocupação é que esse endividamento tem sido pressionado por cartões de crédito e empréstimos sem garantias voltados para o consumo efêmero, ou seja, despesas que não resultam na constituição de um ativo ou bem durável para a família.
Ele disse que o Pix demonstra enorme resiliência consolidando-se como a instituição de maior confiança da população brasileira, com 80% de aprovação.
Conforme reportagem de O Globo, o BC estuda mudanças no sistema durante a madrugada para elevar a segurança do Pix.
Entre as medidas, estariam tempo maior de análise dos bancos para transferência dos valores.
— O Pix é frequentemente alvo de ruídos e desinformação.
Mas, em caso de incertezas sobre o que vai acontecer com a ferramenta, as pessoas devem consultar diretamente o site do Banco Central — disse Galípolo.
