Eduardo Arnoni, da Mastercard Brasil: aposta na expansão do mercado B2B e em novas soluções para o varejista
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Mesmo com o avanço dos pagamentos instantâneos, o cartão de crédito mantém fôlego no Brasil e sustenta o crescimento do setor.
No primeiro semestre deste ano, as transações com cartões de crédito, débito e pré-pago movimentaram R$ 2,3 trilhões.
Esse resultado representa uma alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
Considerando apenas a modalidade crédito, a expansão foi de 12% nos seis primeiros meses do ano, somando R$ 1,7 trilhão.
O impulso veio do parcelamento sem juros, das compras no e-commerce e da adesão aos pagamentos por aproximação.
Já os cartões pré-pagos movimentaram R$ 191,1 bilhões (alta de 0,5%), enquanto o cartão de débito recuou 1,8%, somando R$ 481 bilhões.
O setor demonstra resiliência ao se consolidar como a escolha preferencial para transações de maior valor e compras a prazo.
Dados da Abecs mostram as diferenças de uso: enquanto o tíquete médio do Pix gira em torno de R$ 250, o do cartão de crédito supera os R$ 450 nas compras à vista e ultrapassa R$ 1.000 no parcelamento.
“O Pix não substituiu o uso de cartão de crédito, que continua crescendo.
Até mesmo o impacto no débito não é tão significativo.
Cada um tem suas peculiaridades, vantagens e pontos negativos”, afirma Ivo Mósca, diretor-executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Febraban.
“A competição traz melhor eficiência e abre novas oportunidades”, acrescenta.
A opinião é compartilhada por Gustavo Santos, diretor de cartões e serviços conta corrente do Santander.
“Não existe exclusão, o que estamos vendo é uma nova divisão do bolo.
Quem escolhe como quer pagar é o consumidor.
O que for mais conveniente para ele será adotado.
O que todos precisam entregar é confiança.” De acordo com o executivo, o setor precisa investir em novas frentes e ir além da simples função de pagar e receber.
Com esse objetivo, credenciadoras e bandeiras miram o mercado corporativo e começam a remodelar produtos tradicionais.
É o caso da Mastercard, que aposta no segmento entre empresas (B2B) como uma das suas principais frentes de expansão - hoje, apenas 9% do volume transacionado por cartões no país vem de pessoas jurídicas.
“Nos tornamos provedores de soluções para o varejista e investimos conscientemente no cartão de débito ao lançar o Débito Pro”, afirma Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard Brasil.
O produto busca dar novo fôlego à modalidade de débito ao embutir benefícios como monitoramento de dados pessoais na web, parcerias com serviços de mobilidade e pontuação turbinada no programa de fidelidade da marca.
Não existe exclusão, o que estamos vendo é uma nova divisão do bolo”
“Outra frente de investimento é o Mastercard Agent Pay, desenvolvido para permitir transações impulsionadas por IA de forma segura e escalável em todo o ecossistema de pagamentos”, diz Arnoni.
“No centro da inovação estão os Agentic Tokens, credenciais digitais dinâmicas que permitem que agentes de IA transacionem em nome do consumidor apoiados por verificação avançada, rastreabilidade e prevenção de fraudes.”
Com 34 milhões de cartões ativos, 42 emissores e receita líquida de R$ 1,6 bilhão em 2025, a Elo colocou em teste uma solução de pagamento agêntico de ponta a ponta de forma conversacional.
“O piloto está sendo rodado em parceria com a Decolar, líder em tecnologia de viagens na América Latina, e inicialmente contempla compras com cartão Elo, integrando benefícios e ofertas da bandeira, com o avanço no desenvolvimento de outros meios de pagamentos e cartões”, afirma Mauro Bizatto, diretor da unidade de negócios de cartões da Elo.
“Para nós, o Pix é uma solução complementar, daí o desenvolvimento de programas específicos que podem ser feitos com cartão”, afirma o executivo.
Diante da busca por simplicidade e proteção, a Visa acelerou os investimentos.
“Aplicamos mais de US$ 13 bilhões nos últimos cinco anos em infraestrutura para proteger o ecossistema”, destaca Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa do Brasil.
Para ele, além de milhas e cashback, a preferência do consumidor hoje é moldada por experiência digital, segurança e novas tecnologias como Click to Pay, tokenização e biometria.
Outro pilar estratégico da bandeira é o comércio agêntico.
“Com agentes de IA realizando compras de forma autônoma, precisamos garantir transações seguras e interoperáveis.
Já trabalhamos nessa infraestrutura com o Visa Intelligent Commerce e o Visa Agentic Ready”, comenta Succi.
