O presidente do Náutico, Bruno Becker, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira (31) para explicar o posicionamento do clube sobre a liminar da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) que permitiu ao meia Dodô rescindir o contrato com o Timbu para acertar transferência para o Jeonbuk Hyundai Motors, da Coreia do Sul.
O dirigente indicou que os alvirrubros vão recorrer da decisão, criticou o caráter do atleta e diz que, no fim, a saída do camisa 10 foi um “favor” diante da postura nos bastidores.
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Indignação
“O Náutico recebeu com surpresa e indignação tanto a decisão como a postura do atleta.
O fato precisa ser analisado pelo prisma jurídico e pelo caráter de conduta.
Pelo jurídico, a decisão cabe recurso e vamos apresentar a defesa de mérito.
Já tivemos vários exemplos no clube de atletas que conseguiram decisões liminares e, no mérito, foi revertido.
O departamento jurídico do clube já está atuando para defender o que está em contrato”, iniciou.
“No ponto de vista de conduta, a surpresa foi maior ainda.
Poucas vezes na minha vida eu vi tanta desfaçatez e dissimulação de uma pessoa.
É importante ficar claro que não queremos inverter os valores.
Independente do que a CNRD decidir, da interpretação dada, o Náutico não cometeu qualquer irregularidade.
Quem cometeu foi o atleta, o staff dele e o Coimbra.
A gente sempre procurou tratar isso de forma reta, honesta e transparente.
Não é à toa que consigo, mesmo com atraso de salário, andar de cabeça erguida na sede, no CT, falando com todos os jogadores e viajando com a delegação”, completou.
Decepção
O dirigente também destacou que tinha conversado com Dodô hora antes da rescisão do jogador ter saído no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e que a postura do meia também decepcionou os demais atletas do elenco que se reuniram na semana passada para pedir a permanência do jogador.
“O atleta não enganou somente ao clube, mas também os companheiros de equipe.
Eles pediram pela permanência do atleta e, diante do pedido, quando isso chegou a mim, eu tomei a decisão de pensar no clube e no time, reintegrando o jogador.
No meio de todo esse movimento, ele sabia que existia essa ação.
Ontem mesmo eu estava no CT e, após o término do treino, eu conversei com ele.
Apertei a mão, perguntei como ele estava.
Ele disse que estava tudo certo, que ia para o jogo, mas já sabendo que tinha a liminar”, criticou.
Segundo o dirigente, o Náutico vai apresentar defesa de mérito e, a depender do resultado, pode entrar com recurso, citando que no contrato de compra junto ao Coimbra estava acordado de que o primeiro pagamento seria feito em fevereiro de 2027.
Becker ainda contestou o ponto levado em consideração pela CNRD para dar decisão favorável a Dodô.
“A CNRD enviou o pedido de explicação para um email que não era da presidência, nem jurídico, nem de registro, mas sim um que eu uso para comunicação interna.
Se tivesse ido para os emails de praxe, nós teríamos, dentro do prazo, respondido.
Estamos verificando junto à CNRD o porquê foi para esse email.
Mas isso não muda a situação porque a gente não ia comprovar o pagamento, já que ele estava acordado para fevereiro, e aí a CNRD daria essa decisão baseada na interpretação equivocada”, frisou, apontando que o Náutico vai em busca de compensação financeira devido ao imbróglio.
Indenização
“Mas se a CNRD não tivesse concedido a liminar, ele não iria mais jogar no Náutico.
Não posso manter no elenco um atleta que tem uma ação contra o clube depois dele ter pedido para ser reintegrado.
O que vamos brigar agora em diante não é para ter o atleta.
Não quero no clube alguém com caráter duvidoso.
Vamos brigar pelos direitos econômicos, para sermos indenizados, para receber dinheiro.
A saída do atleta talvez seja o ponto que faltava para fecharmos de vez o elenco e retomar os caminhos que começamos a retomar sem o jogador.
O que queremos buscar é fazer valer os direitos econômicos dos 50% que compramos”, argumentou.
“O contrato é claro: chegando proposta, o Náutico teria um prazo de cinco dias para manifestar o interesse de compra.
Formalizamos isso ao Coimbra.
O jogador tinha ciência do email que enviamos sobre isso.
O contrato do atleta é até 30 de novembro.
Iniciou o prazo para negociarmos com ele, mas não era obrigatório ser dois dias depois.
A gente esperou o atleta decidir a vida dele e veio essa atitude lastimável.
Não tinha como procurar para fazer uma renovação contratual.
Se a gente fizesse isso, eu estaria renovando o contrato em um valor altíssimo, por mais dois, três anos e ele buscaria uma liminar do mesmo jeito.
Não houve falha operacional.
Talvez se a CNRD não tivesse concedido a liminar, a gente teria tirado o atleta em uma rescisão sem justa causa.
Isso ia me custar uma conta enorme.
No final do dia, mesmo com toda revolta e indignação, talvez o atleta tenha feito um favor ao Náutico”.
Aprendizados
O mandatário alvirrubro também se mostrou frustrado pela postura do Coimbra e ressaltou que o caso pode deixar experiências de como lidar melhor em novas contratações para o futuro.
“Ninguém tem escrito na testa o tamanho do caráter.
Procuro medir os outros com a mesma régua que eu me meço.
Algumas vezes somos surpreendidos.
Talvez vamos aprender a ter mais cuidado, fazendo uma leitura melhor na contratação.
Também foi uma surpresa a postura do Coimbra.
Até minha coletiva passada, o Coimbra tinha atuado de forma tranquila, mas depois tudo se mostrou diferente.
Nós somos o Náutico.
O Coimbra eu vim descobrir que existia agora.
Cada um tem a postura do tamanho que é.
A postura do Náutico é do tamanho do Náutico e a do Coimbra é do tamanho que quiseram ter”, finalizou.
