A Região Metropolitana de Belém registrou deflação de 0,74% no IPCA-15 de agosto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado significa que, na média dos produtos e serviços acompanhados pelo indicador, os preços recuaram no período de referência da pesquisa.
A queda em Belém foi mais intensa do que a registrada no país.
No mesmo período, o IPCA-15 nacional ficou em -0,40%.
Com isso, a variação da Região Metropolitana de Belém ficou 0,34 ponto percentual abaixo da média brasileira.
O resultado de agosto também interrompe, no índice nacional, uma sequência de taxas positivas.
O IPCA-15 havia registrado alta de 0,06% em julho, 0,41% em junho, 0,62% em maio, 0,89% em abril e 0,44% em março.
A taxa negativa de agosto representa, portanto, uma mudança no comportamento dos preços acompanhados pelo indicador.
O que a deflação representa para o consumidor?
A deflação não significa que todos os produtos ficaram mais baratos.
O IPCA-15 é calculado a partir de uma cesta de bens e serviços e considera o peso de cada despesa no orçamento das famílias.
Na prática, o impacto da queda pode ser diferente para cada consumidor.
Uma família que tenha maior concentração de gastos em itens que tiveram redução de preços pode sentir mais alívio no orçamento.
Já quem consome principalmente produtos que mantiveram alta pode não perceber a mesma mudança.
Por isso, o resultado de -0,74% em Belém indica uma queda média dos preços pesquisados, e não uma redução generalizada de 0,74% nas despesas das famílias.
Belém tem peso de 4,46% no IPCA-15 nacional
A Região Metropolitana de Belém possui 4,46% de participação na estrutura de pesos nacional do IPCA-15, conforme os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018.
Esse peso é utilizado para que o resultado de cada região tenha influência proporcional na composição do índice nacional.
No caso do IPCA, Belém representa 3,94% do rendimento monetário mensal familiar disponível considerado na estrutura de pesos.
Já no INPC, a região corresponde a 6,95% da população residente urbana nacional utilizada na composição do indicador.
Pesquisa acompanha famílias de 1 a 40 salários mínimos
O IPCA-15 considera famílias com rendimento mensal entre 1 e 40 salários mínimos.
De acordo com a metodologia do IBGE, essa faixa permite cobrir aproximadamente 90% das famílias residentes nas áreas urbanas abrangidas pela pesquisa.
O levantamento acompanha preços de diferentes grupos de consumo e transforma essas variações em um único índice.
Dessa forma, o resultado não representa apenas o comportamento dos preços dos alimentos ou de uma categoria específica, mas a variação de uma cesta ampla de produtos e serviços.
Belém é acompanhada pelo IBGE há mais de quatro décadas
A coleta de preços na Região Metropolitana de Belém começou em janeiro de 1980.
A capital paraense foi incluída na pesquisa na mesma fase de São Paulo e Brasília.
Atualmente, o IPCA-15 considera 11 áreas urbanas: as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Goiânia e Brasília.
O índice nacional é calculado a partir da média ponderada dos resultados dessas áreas.
Como é calculado o IPCA-15?
O período de coleta do IPCA-15 normalmente vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência.
Para o resultado de agosto de 2026, a coleta ocorreu entre 16 de julho e 14 de agosto.
O índice tem como base dezembro de 1993, definido como número-índice 100.
Para chegar ao resultado final, o IBGE utiliza diferentes etapas de agregação dos preços pesquisados, considerando os pesos de cada produto, serviço e região.
Além do IPCA-15 mensal, o IBGE também divulga o IPCA-E, indicador trimestral criado em 1991 e calculado a partir do acumulado do IPCA-15 no trimestre.
