O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciará nesta segunda-feira, em uma coletiva às 14h (horário de Brasília), um amplo plano de medidas para isolar a economia do Irã do resto do mundo, chamado pela Casa Branca de "Dia D Econômico".
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No domingo, Bessent escreveu em uma publicação na rede social X que “ao amanhecer, começa um Dia D econômico — a maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário”.
Segundo o secretário, o presidente Donald Trump “criou as condições para mobilizar todas as agências, todas as autoridades e ações que muitos supunham que jamais utilizaríamos.”
“Nosso objetivo é cortar todas as linhas de sustentação econômica que mantêm o regime tirânico até que Teerã fique sozinho”, acrescentou na postagem.
Na semana passada, Bessent afirmou que os países que continuarem a fazer negócios com o Irã, como a comprar petróleo, enfrentariam "toda força e o poder" do governo americano.
Não está claro como Washington lidará com a questão da China, que atualmente é a maior importadora de petróleo do Irã comercializado por via marítima.
O Departamento do Tesouro já impôs sanções a refinarias independentes chinesas que compram petróleo iraniano, como parte dos esforços para pressionar a economia da República Islâmica, mas até agora evitou aplicar restrições em larga escala a instituições financeiras chinesas que facilitam essas transações.
Nesse contexto, novas medidas que atinjam diretamente a China podem criar um novo foco de tensão entre Washington e Pequim às vésperas do encontro de Trump com o presidente chinês, Xi Jinping, previsto para o mês que vem em Washington.
Bessent tem evitado antecipar como os EUA pretendem lidar com Pequim e sugeriu que os dois países compartilham o interesse em encontrar uma saída para a guerra com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz.
“Muitas conversas são melhores quando realizadas em particular”, disse o secretário à CNBC na semana passada.
“E estamos confiantes de que todos querem que o estreito seja reaberto e que os preços da energia voltem a cair.”
A economia do Irã entrou em queda livre neste ano em meio à guerra e à pressão das sanções aplicadas pelos EUA por meio da chamada “Operação Fúria Econômica”, mas Teerã tem reagido às novas ameaças americanas com advertências de retaliação.
No sábado, o novo chefe de segurança do país, Mohsen Rezaei, afirmou que o Irã poderá atacar interesses de países vizinhos ricos em petróleo caso eles apoiem os esforços do governo Trump para aprofundar seu isolamento e prometeu impedir que “uma única gota de petróleo sequer” deixe o Golfo se a “guerra econômica” continuar.
Além disso, Teerã emitiu um novo alerta à navegação, exigindo que embarcações obtenham autorização para atravessar o Estreito de Ormuz.
O Irã listou 45 navios que, de acordo com o país, violaram suas regras e ameaçou retaliar contra transferências de carga entre embarcações que envolvam essas embarcações.
Embora o país mantenha publicamente uma postura desafiadora, autoridades iranianas ouvidas pela Reuters manifestaram preocupação de que novas punições econômicas possam agravar as dificuldades da população, de modo a reacender protestos e corroer ainda mais a legitimidade da República Islâmica.
O Irã entrou na guerra enfrentando inflação elevada, escassez de energia e profundas fragilidades estruturais e agora precisa lidar com perturbações no comércio, perdas de produção e os custos da reconstrução da infraestrutura danificada.
A desvalorização do rial, que provocou protestos em janeiro reprimidos violentamente, atingiu uma nova mínima histórica nesta segunda-feira, 25% abaixo do nível registrado em janeiro.
Pessoas caminham pelo Grande Bazar de Teerã, no Irã, em 23 de agosto de 2026
Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Chefe do Exército do Paquistão visita Teerã
O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, visitava Teerã nesta segunda-feira em uma missão de mediação em meio aos preparativos dos EUA para lançar as novas medidas econômicas contra o regime teocrático.
A visita de Munir, que desenvolveu uma relação pessoal próxima com o presidente Trump, faz parte de seus esforços “para promover a paz e a estabilidade regionais”, afirmou o governo paquistanês.
Uma fonte paquistanesa disse que Munir deve se reunir com pessoas próximas ao líder supremo do Irã.
Duas fontes paquistanesas também disseram que Trump telefonou para Munir na semana passada, e uma delas afirmou que o principal pedido foi para que ele ajudasse a levar o Irã de volta às negociações.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Os EUA e o Irã não realizam ataques aéreos contra as forças militares um do outro há semanas, mas as últimas negociações oficiais presenciais para encerrar o conflito, que já dura seis meses, ocorreram em junho, e ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz continuaram.
Um projétil atingiu um petroleiro a oeste da cidade portuária saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, nesta segunda-feira, provocando um incêndio no convés principal, segundo monitores de navegação da United Kingdom Maritime Trade Operations (Ukmto).
Eles não informaram quem lançou o projétil.
Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram no mês passado que bloqueariam as exportações sauditas de petróleo desviadas para o Mar Vermelho a fim de evitar Ormuz.
Milhares de pessoas morreram, a maioria no Irã e no Líbano, desde que EUA e Israel iniciaram ataques em 28 de fevereiro, degradando grande parte da capacidade militar convencional iraniana e causando prejuízos econômicos, além de matar o então líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Ainda assim, o Irã preservou capacidade suficiente em mísseis e drones para atacar seus vizinhos do Golfo e praticamente paralisar a navegação pelo Estreito de Ormuz, elevando os preços mundiais dos combustíveis.
A situação exata do programa nuclear iraniano, que americanos e israelenses pretendem eliminar, permanece desconhecida.
Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira após duas semanas de alta, com investidores realizando lucros antes do esperado anúncio dos EUA.
