Brasil é o principal mercado do português Barca Velha, que pode custar até R$ 20 mil a garrafa. Tem  fila - QTU Questões do Universo

Brasil é o principal mercado do português Barca Velha, que pode custar até R$ 20 mil a garrafa. Tem fila

Fonte: Bandeira da fonte

É o vinho português mais conhecido, cobiçado e admirado pelos brasileiros, que não poupam na hora de desembolsar até R$ 20 mil (R$ 30 safras mais antigas) por um exemplar de Barca Velha, "o mito do Douro", produzido pela centenária Casa Ferreirinha, que ocupa um lugar único na historia do vinho português.
"Mais o que ser a produtora do Barca Velha, foi a casa que protagonizou uma das maiores transformações da vitivinicultura nacional: demonstrou que o Douro, durante séculos identificado quase exclusivamente com o Vinho do Porto, também podia produzir grandes vinhos tranquilos de referência internacional" conta Antônio Campos, da Importadora Zahil, que desde 2004 traz os vinhos da Casa Ferreirinha para cá.
O último Barca Velha foi da safra 2015, lançado há três anos: "considero o melhor de todos os tempos", avalia Campos.
No Chef Weeks, no Copacabana Palace, teve "masterclass" da Casa Ferreirinha.
Seleção que inclui provas de Vinha Grande 2005 e 2023; Quinta da Leda 2003 e 2022; Reserva Especial 2001 e 2017 e Barca Velha: 2000 / 2015.
" Foi sem dúvida um grande privilégio provar um Barca Velha de 26 anos que ainda continua com tanta vitalidade, elegância e muito ainda para entregar.
É impressionante", diz a especialista e colunista Elaine Oliveira.
"Degustamos as safras de 2015 e 2000 ambas extraordinárias.
O 2000 chegou a me emocionar"
Elaine Oliveira: "mais de uma década e o vinho, além de excepcional, ainda tem muito para entregar"
Luciana Froes
A história do Barca Velha começa no início da década de 1950 quando a Casa Ferreirinha acreditou que as mesmas castas utilizadas no Vinho do Porto, cultivadas nas encostas do Douro Superior, podiam dar origem a um vinho tranquilo com estrutura, longevidade e capacidade de envelhecimento até então impensáveis para a região.
"A ideia era tudo menos consensual.
Não existia eletricidade nas quintas, nem tecnologia para controlar a temperatura das fermentações durante o verão do Douro Superior.
Para ultrapassar esse obstáculo, Fernando Nicolau de Almeida desenvolveu, na Quinta do Vale Meão, um sistema de refrigeração de parede dupla alimentado com gelo transportado de Matosinhos.
Dessa persistência nasceu, em 1952, o Barca Velha, considerado o primeiro grande vinho tranquilo do Douro e um marco na afirmação da região para além do Vinho do Porto", conta Antônio Campos
Masterclass da Casa Ferreirinha, provas de Reserva Especial, Barca Velha, Casa Leda...
todos grandes vinhos do Douro
Luciana Froes
Lá se vão sete décadas desde o lançamento comercial, em 1960, do Barca Velha , que apenas recebe esse nome nas colheitas consideradas verdadeiramente extraordinárias.
Nos anos restantes, o mesmo projeto, as mesmas vinhas e a mesma filosofia dão origem ao Reserva Especial.
"Não são dois projetos distintos, mas a expressão de um único critério de qualidade, mantido de forma consistente ao longo do tempo " diz ele
Reserva Especial e Quinta da Leda, ambos da Casa Ferreirinha, de qualidades excepcionais e cifras bem menores

O painel durante a Chefs Week procurou ilustrar essa continuidade através de quatro referências emblemáticas da Casa Ferreirinha — Vinha Grande, Quinta da Leda, Reserva Especial e Barca Velha —, cada uma representada por duas colheitas separadas por cerca de vinte anos.
Mais do que comparar diferentes safras, a prova evidencia a consistência de uma filosofia de qualidade que atravessou gerações e permanece como uma das marcas distintivas da Casa Ferreirinha.
Joana Pais: a especialista integra o comitê que avalia e safra e decide se será ou não um Barca Velha: não erramos até o momento.
Nem nos arrependemos
Luciana Froes
"Avaliamos a qualidade dos vinhos durante um almoço, afinal, são vinhos gastronômicos.
Decidimos em conjunto se o exemplar tem potencial para ser um Barca Velha ou ser um Reserva Especial.
Em todos esses anos, nunca nos arrependemos das nossas conclusões", me disse Joana Pais, que integra o comitê que dá o veredito.