Brasil é ‘país difícil’ para um impasse com os EUA, diz indicado de Trump para embaixador - QTU Questões do Universo

Brasil é ‘país difícil’ para um impasse com os EUA, diz indicado de Trump para embaixador

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O Brasil é um “país difícil” para os Estados Unidos estarem em impasse, considerando a importância comercial que tem para os americanos, afirmou Daniel Perez, ex-presidente da Câmara de Deputados da Flórida e escolhido por Donald Trump para ser o futuro embaixador americano no Brasil.

Ao conceder entrevista para o programa “This Week In South Florida”, do canal WPLG Local 10, no último domingo (23), Perez disse querer a diplomacia, mas afirmou também ter como “única missão” garantir que os EUA estejam em uma posição melhor do que a atual, o que passa, segundo ele, pela economia e pelas discussões tarifárias.
Perez ponderou que seu primeiro objetivo "será sempre a segurança e a proteção dos americanos que estão no Brasil".
"Mas logo depois disso, será a diplomacia que acredito trazer para a situação", acrescentou.
Ao avaliar seu tempo à frente da assembleia legislativa da Flórida, Perez disse acreditar que foi uma gestão de "equilíbrio".
Ele afirmou que seu presidente americano favorito na infância era Dwight Eisenhower, porque "ele conseguia governar com mão de ferro quando necessário, mas ser um pacifista se possível".
"Foi assim que governamos a Assembleia da Flórida.
Fizemos um pouco de ambos", disse.
Perez reconheceu que, "no momento, há um pequeno impasse entre o Brasil e os Estados Unidos" e disse que o Brasil "é um país difícil para se estar em um impasse, porque eles são um grande parceiro comercial para nós, o maior da América do Sul".

Ele afirmou esperar que, assim que chegar e construir relações, possa "superar essa lacuna e continuar a avançar de forma positiva".
"Esse é o objetivo, pelo menos, mas acho que até que eu chegue lá, é difícil dizer", disse.
Sobre as tarifas dos EUA ao Brasil, Perez afirmou se tratar "de garantir que o interesse da economia dos Estados Unidos esteja em primeiro lugar", acrescentando não ser suave em relação a isso.

"Claro que quero diplomacia, claro que quero que nossos países se deem bem, mas estou lá em uma única missão: garantir que os Estados Unidos fiquem em um lugar melhor amanhã do que estão hoje, e parte disso é a economia", afirmou.

Ele disse enxergar espaços "para que ambos os países vençam".
"Há alguns setores em que estamos sendo taxados em 18% ou 19% — o etanol é um bom exemplo pelos brasileiros —, e estamos correspondendo a essa taxa atualmente em 1% ou 1,5%.
Então, o que estamos procurando aqui é apenas algum tipo de reciprocidade quando falamos de tarifas e impostos em geral", afirmou.
Ele ponderou que a discussão faz parte de uma "conversa maior" e que não estava dizendo nada que já não fosse público.
"Sei que o presidente [Trump] conversou com o presidente Lula e falaram sobre tarifas.
Não estou a par dos detalhes dessa conversa, apenas do que a mídia divulgou, mas tenho certeza de que ambos estão tentando chegar a um acordo que seja benéfico para seus países."

Lula telefonou e falou com Trump no fim da semana passada.
Foi a primeira vez que os dois conversam após a aplicação da tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, anunciada em 15 de julho.
Segundo o Planalto, a ligação durou uma hora e vinte minutos e "abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global".
A Secretaria de Comunicação (Secom) informou que a conversa teve "tom amistoso e cordial".

Eleição
Perez também afirmou que "não haverá envolvimento" de sua parte em relação às eleições no Brasil.
"Isso cabe aos brasileiros decidirem.
Eles têm um processo eleitoral pelo qual precisam passar em outubro, e quem quer que saia vencedor do outro lado será o líder do Brasil e será com quem estarei trabalhando", disse.

"Estamos nos Estados Unidos agora, e as eleições nos EUA são o importante para mim, especificamente na Flórida, claro", acrescentou.

O aceite, pelo governo brasileiro, do nome de Perez está pendente e não deve sair antes da eleição presidencial de outubro, o que gerou reação das autoridades americanas, que suspenderam o visto da embaixadora do Brasil nos EUA.