Nesta segunda-feira (3), começou no Brasil a Campanha de Multivacinação - vai até 1º de setembro.
O Ministério da Saúde recomendou que, neste período, os municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo, todos no estado de São Paulo, ampliem a oferta da vacinação contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos de idade.
A orientação vale até para quem já recebeu as doses.
A estratégia foi definida após a identificação de casos da doença, que indicam uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas localidades.
A vacina contra o sarampo, a tríplice viral, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o Calendário Nacional de Vacinação para pessoas de 12 meses a 59 anos.
Em situações de circulação do vírus, também devem receber a chamada dose zero crianças de 6 a 11 meses de idade.
Casos e cobertura vacinal
Este ano, já foram confirmados 17 casos de sarampo no país, sendo que 14 permanecem em acompanhamento no estado de São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 11 na capital paulista.
Dados do MS mostram que, em 2025, a cobertura vacinal nacional alcançou 92,9% para a primeira dose (D1) da tríplice viral e 78,3% para a segunda dose (D2).
Nos municípios contemplados pela recomendação, Guarulhos registrou coberturas de 91,59% (D1) e 83,90% (D2), São Bernardo do Campo, de 90,84% (D1) e 83,62% (D2), e o município de São Paulo, de 90,79% (D1) e 83,63% (D2).
Dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do UNICEF sobre a Cobertura Nacional de Imunização (WUENIC) mostram que a cobertura vacinal global contra a doença, que havia aumentado em 2024, registrou queda no ano passado.
Desde 2024, a cobertura da primeira dose diminuiu de 89% para 88%, enquanto a cobertura da segunda dose caiu de 79% para 78%, ambas muito abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos dessa doença altamente contagiosa.
“Enquanto o sarampo continuar circulando em qualquer parte do mundo, nenhum país ou comunidade pode se dar ao luxo de baixar a guarda”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em comunicado.
“A vacinação é nossa melhor proteção, e devemos continuar trabalhando para alcançar todas as crianças, fechar as lacunas de imunidade e manter os altos níveis de cobertura necessários para prevenir surtos.”
Vacinação é o que previne contra o sarampo
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo.
A transmissão do vírus ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Segundo o MS, um indivíduo infectado pode transmitir para 90% de quem estiver próximo e não estiver imunizado.
Daí a importância da vacinação.
A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses de idade, e com a vacina tetraviral, administrada aos 15 meses, que inclui proteção contra varicela.
Os principais sintomas da enfermidade são manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre alta (acima de 38,5°).
Também podem ocorrer tosse seca, irritação nos olhos (conjuntivite) e mal-estar intenso.
Não existe tratamento específico.
Os medicamentos são utilizados apenas para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas, e devem sempre ser administrados sob orientação médica.
Inovação na vacinação
Como explica a organização independente sem fins lucrativos Fundação CDC, dos Estados Unidos, o imunizante atual contra o sarampo depende de uma "cadeia de frio", um sistema de distribuição com temperatura controlada para mantê-la segura e eficaz em todas as etapas.
“Isso torna o percurso da vacina, desde a fábrica até o seu destino, muitas vezes do outro lado do mundo, complexo e dispendioso”, diz a entidade em seu site.
Ela acrescenta que, nos últimos anos, a pandemia de COVID-19, a escassez de pessoal nos locais de vacinação e a interrupção da cadeia de frio causaram problemas na distribuição de vacinas, especialmente em áreas onde o acesso limitado à eletricidade torna a refrigeração difícil ou impossível.
E esses fatores contribuíram para um declínio geral na vacinação.
Para lidar com essas questões, foi desenvolvido o adesivo de microarranjo contra sarampo e rubéola (MR-MAP).
Aproximadamente do tamanho de uma moeda de um dólar de prata, ele é revestido com agulhas microscópicas que penetram na pele sem causar dor, administrando a vacina em apenas cinco minutos.
A Fundação destaca que, por exigirem pouca ou nenhuma refrigeração, são mais fáceis de transportar e aplicar, já que voluntários, que podem ter pouca ou nenhuma experiência médica, são treinados rapidamente para aplicá-los.
Outro benefício é que, como as microagulhas se dissolvem após o uso, não há o risco de acidentes com agulhas - segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, isso é causa de 39% das infecções por hepatite C, 37% das infecções por hepatite B e 4,4% das infecções por HIV em todo o mundo.
“As vacinas MR-MAP têm o potencial de salvar vidas”, salientou Stephen Crooke, chefe de imunologia de vacinas da Divisão de Doenças Virais do CDC.
“Sem acesso às vacinas contra sarampo e rubéola, milhares de crianças morrerão ou nascerão com graves defeitos congênitos devido a essas infecções.
Saber que essa tecnologia tem o potencial de prevenir isso e pode proporcionar a essas crianças a chance de uma vida saudável é uma perspectiva empolgante.”
Por enquanto, os adesivos ainda estão em fase de teste.
Mas diversos grupos de pesquisa já demonstraram resultados positivos em estudos pré-clínicos e clínicos iniciais.
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