O Brasil tem boas oportunidades de desenvolver a produção e se tornar um importante fornecedor de terras raras, inclusive criando maneiras de processar o material.
A opinião é de William Husband, head global de metais e mineração do Citi, que participou nesta terça-feira (25) de encontro virtual com a imprensa para debater as perspectivas para a produção de minerais críticos na América Latina.
Para o especialista, o Brasil é, além da China, um dos principais locais que podem aumentar a produção e o processamento de terras raras.
Segundo Husband, é possível construir unidades de concentração ou até mesmo uma planta para fabricação de hidróxido de terras raras nas proximidades das minas existentes.
“O processamento vai demandar capital e alguns exemplos que posso pensar são o governo brasileiro e outros governos financiando a capacidade de terras raras do Brasil”, disse Husband.
Atualmente, a Serra Verde opera em Goiás a única mina de terras raras em funcionamento no país.
A empresa foi comprada pela americana USA Rare Earth, que ontem anunciou ter concluído a captação de US$ 1,5 bilhão para adquirir a companhia brasileira.
O negócio havia sido anunciado em abril deste ano.
A Serra Verde produz quatro elementos de terras raras (ETRs), neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, fundamentais para a produção de imãs permanentes.
A empresa iniciou a produção comercial em 2024 e espera produzir 6.400 toneladas de óxido de terras raras até 2027 e uma expansão da mina pode dobrar a capacidade até 2030.
Além da Serra Verde, há pelo menos três outros projetos para produção de terras raras no país que estão mais avançados, todos de empresas australianas em Minas Gerais.
A Viridis é dona do Projeto Colossus, a Meteoric Resources tem o Projeto Caldeira e a St.
George trabalha no Projeto Araxá.
Husband citou a importância das terras raras na geopolítica atual e lembrou que, quando o governo dos Estados Unidos aumentou bruscamente as tarifas comerciais em abril do ano passado, a resposta da China — que concentra 90% do processamento global de terras raras — foi restringir o fornecimento aos EUA.
Husband lembra que essa limitação traz impactos diretos ao setor de defesa e aos motores elétricos.
Husband também chamou a atenção para a produção de alumínio do Brasil.
O especialista lembrou que o país tem uma produção relevante do produto.
É o nono maior produtor mundial do produto, mas possui uma das quatro maiores reservas mundiais de bauxita, matéria-prima para a produção de alumínio.
Dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) mostram que o Brasil é o nono maior produtor do mundo, com 1,1 milhão de toneladas, abaixo do consumo doméstico, de 1,9 milhão de toneladas.
Para ele, o Brasil pode aproveitar uma substituição do cobre pelo alumínio em alguns casos.
Ele frisou que o cobre é “o rei, a rainha e o mago” entre os minerais críticos no que diz respeito à eletrificação, defesa, descarbonização e uso de energia renovável.
Com isso, houve forte alta do preço do cobre, que oscila acima dos US$ 14 mil por tonelada, enquanto o preço do alumínio gira em torno de US$ 3.200 por tonelada, tornando economicamente viável a troca de um produto pelo outro.
“Essa substituição começa a ocorrer quando você tem uma relação de preço de 4 a 1, ou seja, apesar de o alumínio não ser quase tão condutivo quanto o cobre, quando economicamente o cobre é muito caro em relação ao alumínio, isso começa a acontecer”, disse Husband.
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