Brasileiro que vive nos EUA há 25 anos faz alerta sobre xenofobia e adaptação - QTU Questões do Universo

Brasileiro que vive nos EUA há 25 anos faz alerta sobre xenofobia e adaptação

Fonte: Bandeira da fonte

O empresário e influenciador Dan Cunha, de 42 anos, reacendeu nas redes sociais uma discussão recorrente entre brasileiros que vivem no exterior: como distinguir situações de xenofobia das dificuldades naturais de adaptação a um novo país? Participante do "Immigrant Reality", ele compartilhou um vídeo em que defende que nem toda experiência negativa vivida por um imigrante pode ser atribuída ao preconceito.
Ao mesmo tempo, reconhece que a xenofobia existe e deve ser identificada e denunciada.
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Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Dan vive fora do país há 25 anos e também passou por Inglaterra e Austrália.
Ao relembrar o próprio processo de mudança, contou que começou a trabalhar com limpeza nos Estados Unidos e que "housekeeping" foi uma das primeiras palavras que aprendeu em inglês.
"Eu moro fora do Brasil há 25 anos e aprendi uma coisa: nem toda dificuldade que um imigrante enfrenta é xenofobia.
Xenofobia existe? É óbvio que existe.
Mas existe uma diferença entre sofrer xenofobia e chegar em outro país esperando que o idioma, as regras e a cultura se adaptem a você", afirmou.
Brasileiro que vive nos EUA há 25 anos questiona imigrantes que atribuem dificuldades à xenofobia
Divulgação CO Assessoria
Na avaliação do influenciador, parte dos conflitos enfrentados por quem migra pode estar relacionada ao desconhecimento da língua, das normas e dos costumes locais.
Para ele, reconhecer essa dimensão não significa minimizar episódios de discriminação, mas considerar também o processo de adaptação de quem chega a uma realidade diferente.
Dan citou ainda os estereótipos associados aos latinos nos Estados Unidos.
Segundo ele, existe uma percepção de que imigrantes desse grupo estão destinados a ocupar determinados postos de trabalho, como limpeza e construção civil.
A própria experiência profissional, no início da vida no país, fez com que conhecesse esse tipo de situação.
"Aqui ainda existe muito essa ideia de que latino veio para limpar casa, trabalhar na construção ou fazer trabalhos que muita gente olha de cima.
Eu comecei justamente na limpeza, então sei que esse preconceito existe.
Só não acho que tudo possa ser colocado nessa conta", declarou.
Influenciador brasileiro nos EUA provoca debate ao falar sobre xenofobia e adaptação
Divulgação CO Assessoria
Ao comentar a própria trajetória, Dan também reconheceu que sua experiência como homem branco envolve privilégios que podem não se aplicar a outros imigrantes.
A observação foi feita ao defender que diferentes pessoas podem vivenciar o processo migratório de maneiras distintas, dependendo de fatores como origem, aparência, condição social e domínio do idioma.
Para ele, diferenciar preconceito de dificuldades de adaptação não significa deixar de reagir diante de uma situação injusta.
"Às vezes é xenofobia, às vezes é falta de adaptação, e saber separar uma coisa da outra é responsabilidade nossa.
Isso não significa aceitar preconceito ou ficar calado diante de uma injustiça", disse.
No fim, Dan defendeu que quem decide viver fora precisa estar disposto a compreender a sociedade em que passa a viver.
"Significa entender onde você está, se adaptar e continuar fazendo aquilo que foi buscar quando decidiu sair do seu país", concluiu.