Os próximos passos na Brava Energia, com a entrada da colombiana Ecopetrol no controle da empresa, serão conhecidos após a liquidação da oferta pública parcial de aquisição de ações (OPA), disse o diretor financeiro e de relações com investidores da petroleira, Luiz Carvalho.
Segundo ele, que participa de teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, o leilão para a compra de 25% do capital da Brava foi “um sucesso” e a partir da conclusão da operação, prevista para o dia 17 de agosto, é que as discussões mais estratégicas terão início.
Carvalho destacou que o foco da Brava é otimizar as operações e o aspecto financeiro, com redução de custos e aumento de investimentos na produção.
Nesse quesito, avalia, a entrada da Ecopetrol é uma oportunidade para que se possa reduzir o perfil da dívida.
O executivo destacou que o segundo trimestre deste ano foi o quinto consecutivo que a dívida líquida foi reduzida, o que puxou a alavancagem para baixo, e salientou que a dívida “não condiz com a atuação da Brava”.
Ele diz enxergar oportunidades para reduzir ainda mais o perfil do passivo, particularmente o custo da dívida.
Além disso, a empresa mira um aumento de produção, com a interligação de quatro novos poços de petróleo marinhos (“offshore”), dois no campo de Atlanta e outros dois no de Papaterra.
Ambos puxaram para cima os investimentos da Brava, segundo ele.
Em um ano, a alavancagem caiu de 3,1 vezes para 1,97 vez.
Carvalho observou ainda que a governança da Brava impede que sejam contraídas novas dívidas quando o nível de alavancagem ultrapassar 2,5 vezes.
“Nosso objetivo é antecipar investimentos para aumentar valor.
Estamos entrando em nova fase, com balanço mais equilibrado”, disse Carvalho.
Já o diretor de operações onshore da Brava, Jorge Boeri, avalia que a entrada da Ecopetrol vai permitir que a Brava possa aproveitar o “know how” da empresa colombiana em operações terrestres.
“Vamos pegar carona”, afirmou.
Já Carlos Travassos ressaltou que um desafio será a perfuração dos poços nos campos de Atlanta e Papaterra, que são importantes para o aumento da produção.
Luiz Carvalho disse ainda que a tendência é que a Brava mantenha o nível de investimentos nos próximos três trimestres, por conta de aumento de produção, sobretudo em Atlanta e Papaterra.
Para 2027, avalia, a perspectiva é de que a companhia apresente maior geração de caixa, com a redução do volume de investimentos, uma vez que os poços adicionais já estarão integrados e ajudando no aumento da produção.
Carvalho afirmou ainda que a margem de refino (“crack spread”) se manteve em níveis “saudáveis” no segundo trimestre, apesar da volatilidade dos preços do petróleo cru no mercado internacional.
O executivo avalia que há uma tendência de queda nos próximos meses.
Porém, caso o cenário atual da geopolítica se mantenha, com tensões mais elevadas no Oriente Médio, o “crack spread” pode continuar mais favorável à Brava.
Imposto de exportação
Carvalho disse que a empresa tem “trabalhado de forma conservadora” ao considerar que o imposto de exportação de petróleo será cobrado até 2027.
A alíquota de 12% sobre as vendas brutas da commodity para o mercado externo foi estendida, inicialmente, por mais 60 dias.
A cobrança do imposto foi instituída pela Medida Provisória (MP) 1.340/2026, mas a MP perdeu a validade no dia 9 de julho ao não ser votada pelo Congresso Nacional, de modo que fosse convertida em projeto de lei.
O governo editou um decreto atribuindo ao Comitê Executivo de Gestão (Gecex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), a prorrogação do tributo, como saída para o fato de a MP caducar.
“Fomos pegos de surpresa, como toda a indústria, com a criação do imposto.
E tivemos decepção com a continuidade, mesmo após a caducidade da MP”, disse Carvalho.
Navio-plataforma da Brava Energia
Reprodução/Brava Energia
